Al-Qaeda baixa padrão de recrutamento

Por BBC Brasil |

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Para marcar presença com ataques extremistas, atuais líderes da rede facilitam a entrada de novos membros

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Os padrões exigidos pela a Al-Qaeda para o recrutamento de novos membros caíram. A organização está admitindo uma nova geração de integrantes e expandindo o seu alcance.

O antigo líder Osama bin Laden era contra a entrada do grupo somali islâmico Al Shabab na organização. Ele criticou seus líderes em uma carta que foi achada em Abbottabad, logo após seu assassinato em 2011, indicando que eles impuseram penalidades demasiadamente severas para "aqueles cujas ofensas eram ambíguas".

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Foto divulgada pela presidência do Quênia mostra os escombros do shopping Westgate em Nairóbio após explosões (26/9)

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O novo líder da Al-Qaeda, Ayman al-Zawahiri, entretanto, está menos preocupado com as deficiências da Al Shabab. Menos de um ano depois da morte de Bin Laden, Zawahiri deu as boas vindas à organização.

"Ele pensou que isso poderia estender o alcance (da organização)", disse Richard Barrett, ex-coordenador da equipe de monitoramento da Al-Qaeda e do Taleban nas Nações Unidas.

A introdução da Al Shabab indica o novo estilo de liderança na Al-Qaeda. Zawahiri e seus subordinados são mais fáceis de lidar do que seus predecessores. "Eles estão abrindo franquias", diz o analista Daniel Green do Instituto de Washington para Políticas do Oriente Próximo.

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Leah Farrell, uma ex-analista de inteligência da Polícia Federal da Austrália, disse: "Se você levar em conta afiliados, franquiados e braços, então a Al-Qaeda está maior do que nunca".

A razão para a admissão de novos membros, segundo ela, é que a rede não realizou ataques de grande porte contra o Ocidente há anos.

Ela diz acreditar que os líderes da Al-Qaeda estariam simplesmente buscando outras formas de marcar presença no cenário internacional e sendo, por isso, menos exigentes sobre requisitos para admitir novos membros.

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Em 21 de setembro, a Al Shabab lançou um ataque contra o shopping Westgate, em Nairóbi, no Quênia, matando mais de 60 pessoas. A natureza brutal do ataque assegurou que a Al-Qaeda ficasse na mídia por algum tempo.

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Foto mostra o líder da Al-Qaeda, Ayman al-Zawahiri, em reprodução de vídeo postado no site do as-Sahab, braço de mídia da rede terrorista

Enquanto isso, outro grupo afiliado à Al-Qaeda conquistou uma cidade na fronteira da Síria. E militantes da Indonésia e de outros países tem tentado chamar a atenção de Zawahiri. "Eles estão literalmente erguendo suas pequenas mãos e dizendo: 'Por favor, podemos entrar?'", diz Farrell.

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Militantes querem se juntar porque sabem que suas organizações serão transformadas por sua afiliação com a Al-Qaeda. Para muitos militantes, o nome Al-Qaeda transmite uma sensação de "pureza", diz Farrell. "Esse rótulo diz que você não é corrupto e que você é implacável".

Mas participar do grupo também traz outras consequências. "Você consegue muita credibilidade", disse Green. "Mas você sabe que com a designação provavelmente vem a morte."

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Mais de 1, 6 mil militantes foram mortos no Paquistão por drones (aviões não tripulados) dos EUA nos últimos nove anos, de acordo com uma pesquisa do centro de estudos Fundação Nova América, de Washington.

Ataques de drones mataram muitos líderes importantes da Al-Qaeda. Mas por causa da queda dos padrões de aceitação de novos membros - e pela ampla caracterização do que é a Al-Qaeda, feita em um relatório da Casa Branca em 2011 – o grupo hoje é maior do que nunca.

Além do núcleo da Al-Qaeda – Zawahiri e seus subordinados – a organização inclui um punhado de afiliados, segundo escreveu a analista Katherine Zimmerman, do Instituto Empresa Americana em um relatório de setembro.

Esses afiliados incluem a Al-Qaeda no Iraque, no Magreb Islâmico (faixa no norte da África), na península Arábica e o grupo Al Shabab. Além disso a Al-Qaeda tem aliados que não possuem vínculos formais com a organização.

"Há mais de 100 mil simpatizantes espalhados pelo mundo que contribuem para os objetivos da Al-Qaeda e adotam sua ideologia", escreveram Noman Benotman e Jonathan Russell em um estudo divulgado em setembro pela fundação Quilliam, em Londres, que estuda o contraextremismo. Segundo Farrel, juntar-se à rede ainda leva tempo – ao menos um ano.

Correspondência

Líderes militantes tentam manter sua correspondência secreta. Isso significa salvar um documento do computador em um pen drive e entregá-lo a alguém – que o transportará para um mensageiro no Paquistão.

"Essa pessoa terá que levar o documento para Zawahiri", diz Seth Jones, autor de "Hunting in the Shadows: The Pursuit of al Qa'ida since 9/11" ("Caçando nas Sombras: a Perseguição da Al-Qaeda desde o 11 de Setembro", em tradução livre).

Uma vez que os militantes estabelecem contato, começam a trabalhar em uma parceria. "O diálogo começa com questões ideológicas", diz Jones. Eles podem falar sobre "a legitimidade de ataques ou os objetivos de um grupo específico".

Uma vez que os termos são definidos, Zawahiri anunciará que a organização militante se tornou parte de Al-Qaeda. A rede permanece conhecida por seus ataques a metrôs, shoppings e outros lugares. Enquanto isso, continua atraindo seguidores.

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Membros do partido paquistanês Jamiat Ulema-e-Islam seguram cartaz do líder da Al-Qaeda Osama bin Laden durante protesto em sua homenagem em Quetta (foto de arquivo)

Zawahiri diz que as autoridades do Ocidente nunca conseguirão aniquilá-los, segundo Barrett. Al-Qaeda é mais que uma organização, ele afirma, "ela é uma ideia". "Todos os esforços têm sido no sentido de destruir a estrutura sem lidar com o porquê das pessoas aderirem a ela", diz Barrett.

O poder da Al-Qaeda para atrair novos membros atesta sua qualidade duradoura – e mostra os desafios das autoridades do Ocidente ao tentar lutar contra a ameaça.

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