Fundado há 6 meses, AfD tem subido nas pesquisas com propostas como fim do euro e saída da Grécia da UE

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Passeata do AfD em Berlim, na Alemanha
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Passeata do AfD em Berlim, na Alemanha

Um partido nanico de direita fundado há pouco mais de seis meses e que defende o fim da moeda única europeia está crescendo nas pesquisas de intenção de voto e pode complicar a formação da próxima coalizão de governo na Alemanha.

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Os alemães vão às urnas neste domingo eleger o novo Parlamento. Apesar de aparecer nas últimas pesquisas com percentuais que variam entre 2% e 4% das intenções de voto, muitos analistas acham que o Alternative für Deutschland (Alternativa para a Alemanha, em tradução livre), fundado em fevereiro, pode ultrapassar a votação mínima de 5%, limite mínimo para que um partido consiga assento no Parlamento alemão, o Bundestag.

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Além de defender o fim do euro e o retorno ao marco alemão como moeda do país, o AfD propõe uma política de imigração que atraia apenas pessoas qualificadas e uma política externa que privilegie a cooperação com a Rússia, ao invés de manter o foco na Europa Ocidental.

O AfD defende ainda o fim do pacote de salvamento de bancos da União Europeia, a saída da Grécia do bloco e um posicionamento contrário à entrada da Turquia. No entanto, não pregam o fim da zona de livre comércio.

O teor nacionalista de suas propostas tornaram o partido, que, segundo analistas, seria de "direita populista", em uma batata quente no cenário político alemão. Os principais partidos alemães, o CDU de Angela Merkel e o SPD de Peer Steinbruch, já descartaram qualquer possibilidade de coalizão de governo com o AfD.

Ressonância

O problema é que a campanha do AfD, pelo que indicam as pesquisas, encontrou ressonância no eleitorado.

Uma pesquisa feita pelo You Gov Deutschland mostrou que 52% dos entrevistados na Alemanha defendem que o próximo governo não deve conceder nenhum outro crédito financeiro para países em crise da União Europeia.

A maioria (60%) acredita que a Alemanha deve manter o euro como moeda, mas o número de pessoas que defendem a volta do marco alemão impressiona: 32%, ou seja, um terço da população.

O fortalecimento da AfD causa preocupação principalmente nos partidos conservadores. "Os votos que a AfD recebe, vêm em grande parte do FDP (partido liberal de direita, membro da atual coalizão de governo) e também dos partidos da União (CDU/CSU, a união democrata-cristã que forma o partido majoritário dentro da coalizão de governo)", analisa o professor da Universidade Livre de Berlim, Richard Stöss.

Stöss acredita que, caso a AfD consiga representação no Parlamento, aumentam consideravelmente as chances de que o atual partido de governo, o CDU/CSU, seja obrigado a formar um governo com seu principal opositor, o SPD, um perspectiva que não agrada a nenhum deles.

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