Debate sobre a Síria é 'lição' de diplomacia para o Irã, diz Obama

Por BBC Brasil |

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Presidente americano afirma a ABC que trocou cartas com novo líder iraniano sobre os acontecimentos na Síria

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O presidente americano Barack Obama afirmou ter trocado cartas sobre a Síria com o recém-eleito presidente iraniano Hassan Rouhani. Obama disse ter deixado claro que Teerã possuir armas nucleares é "uma questão muito maior" para os EUA do que o uso de armas químicas na Síria.

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AP
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As declarações foram dadas em entrevista para a rede de televisão americana ABC neste domingo. Ele disse que as autoridades iranianas entenderam seu recado de que há potencial para resolver a questão nuclear pela diplomacia.

Falando sobre a Síria, mas fazendo uma alusão à disputa entre o Ocidente e o Irã sobre a questão nuclear, Obama disse: "O que eles poderiam tirar dessa lição é que há potencial para resolver essas questões diplomaticamente".

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"Meu ponto de vista é que se você tem tanto uma ameaça crível de uso da força, combinada com um rigoroso esforço diplomático... você pode fazer um acordo”, disse.

O presidente americano disse também que o fato dos EUA não terem atacado a Síria não significa que o mesmo acontecerá no Irã.

Síria

Um ministro do regime sírio afirmou neste domingo (14) que o acordo dos EUA e da Rússia sobre as armas químicas da Síria é uma "vitória" que evita a guerra. Essa foi a primeira reação de Damasco ao anúncio do acordo no sábado.

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O tratado diz que a Síria deve fornecer informações detalhadas e completas sobre seu arsenal químico no prazo de uma semana. As armas devem ser destruídas até a metade de 2014.

Se o regime de Bashar al-Assad não aceitar o acordo, pode ser forçado a isso por uma resolução da ONU – que pode incluir a força como último recurso.

Os EUA ameaçaram atacar a Síria após o surgimento de suspeitas de que armas químicas teriam sido utilizadas em um ataque em agosto.

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A Síria concordou recentemente em aderir à Convenção sobre Armas Químicas. As Nações Unidas afirmaram que o país deve assinar o tratado a partir de 14 de outubro.

O acordo entre EUA e Rússia foi anunciado no sábado após três dias de intensas negociações em Genebra, que envolveram o secretário de Estado americano John Kerry e o chanceler russo Sergei Lavrov. "Nós recebemos bem o acordo", disse o ministro sírio da Reconciliação, Ali Haidar, à agência de notícias russa Ria Novosti.

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"Por um lado ele ajuda a Síria a sair da crise, e por outro ajuda a evitar a guerra contra a Síria, privando de argumentos aqueles que usam o assunto para defender um ataque', disse Haidar. "É uma vitória para a Síria conquistada graças aos nosso amigos russos".

Solução de última hora

O calendário para o cumprimento do acordo é considerado por analistas extremamente ambicioso.

A Síria tem que fornecer uma lista das armas químicas em uma semana. Até novembro, todos os equipamentos de produção terão que ser destruídos e todas as armas guardadas deverão ser removidas do país até a metade do ano que vem.

EUA e Rússia concordaram com a assertiva de que a Síria possui cerca de mil toneladas de agentes e precursores químicos, segundo uma fonte americana.

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Os EUA acreditam que o material está espalhado por 45 instalações, todas controladas pelo governo. Metade delas teria quantidades razoáveis de agentes químicos prontos para serem usados.

Já a Rússia não concorda com o número de instalações e diz que nem todas as armas estão nas mãos de Assad.

Rebeldes do Exército Livre da Síria disseram que, com o acordo, Moscou apenas tenta ganhar tempo para Assad. Eles reivindicaram que o tratado seja extendido para abranger o uso de armas convencionais.

Veja imagens do conflito sírio desde o início do ano:

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Infográfico: O que está em jogo para o Oriente Médio com a guerra síria

Neste domingo, o conflito entre forças do regime e rebeldes continuou na periferia de Damasco e também em Hama.

Após se reunir em Israel com o premiê Benjamin Netanyahu, Kerry afirmou ter entendido críticas da oposição de que o acordo no acabará com a matança na Síria. Disse porém que o tratado para eliminar o arsenal químico no país representa "um passo à frente".

O premiê israelense disse que a retirada das armas químias da Síria tornará toda a região mais segura.

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