Saiba estratégias de Obama para convencer Congresso sobre ataque à Síria

Por BBC Brasil |

compartilhe

Tamanho do texto

Para obter apoio de deputados e senadores sobre ação militar, líder fará uso de audiências e outros recursos

BBC

O presidente Barack Obama tem apenas alguns dias para conseguir o apoio do Congresso para realizar um ataque militar contra a Síria. Então, como ele pretende convencer os parlamentares?

G20: Crise na Síria deve ofuscar assuntos econômicos em reunião

AP
Presidente dos EUA, Barack Obama, faz pausa durante pronunciamento sobre Síria na Casa Branca

Resolução: Comissão do Senado dos EUA autoriza ação militar na Síria

Terça-feira: Presidente da Câmara dos EUA apoia Obama em ataque contra Síria

Para alguns, não é só o futuro da Síria e da região que depende das duas votações que devem acontecer na semana que vem. O futuro político do presidente também está nas mãos dos 100 senadores e 435 membros da Câmara dos Representantes que decidirão se o apoiarão ao não a proposta de lançar um ataque "limitado" a alvos na Síria.

Infográfico 1: O que está em jogo para o Oriente Médio com guerra da Síria?

Infográfico 2: Saiba como EUA planejam ataque militar contra a Síria

Muitos estão céticos sobre a ideia de que uma resposta dessa natureza ao ataque químico que teria ocorrido no dia 21 de agosto próximo a Damasco seja interessante aos EUA.

Obama: Credibilidade dos EUA e do mundo está em jogo sobre a Síria

Leia: Saiba os principais itens de relatório dos EUA sobre o ataque químico

Pelo menos seis táticas devem ser seguidas pela equipe de Obama para persuadir os deputados e senadores americanos:

1. Apelo 'do coração'

Do gramado da Casa Branca, o presidente fez um apelo não apenas ao Congresso, mas à dividida nação americana e para o resto do mundo. "Dez dias atrás, o mundo assistiu horrorizado homens, mulheres e crianças sendo massacrados na Síria no pior ataque com armas químicas do século 21."

"Mais de 1 mil pessoas foram assassinadas, centenas deles eram crianças – jovens meninos e meninas intoxicados até a morte por seu próprio governo. Esse ataque é um assalto à dignidade humana".

2. Audiências no Salão Oval

Os senadores John McCain e Lindsey Graham tiveram um encontro privado com o presidente na Casa Branca e saíram dele vacilantes. Eles lideram os chamados falcões republicanos, que dizem acreditar que ataques limitados não serão suficientes, mas seus comentários posteriores ao encontro deixaram poucas dúvidas de que estão agora alinhados com Obama.

Na terça-feira, foi a vez do presidente da Câmara dos Representantes, John Boehner, ter uma audiência com o presidente, ao lado da alta cúpula do Comitê de Segurança do Senado. Depois disso, ele ofereceu seu apoio publicamente pela primeira vez.

E mais políticos vacilantes devem ser chamados para o Salão Oval — sala de trabalho do presidente — nos próximos dias, segundo afirmou Larry Sabato, diretor do Centro para Política da Universidade da Virgínia. "Todo republicano moderado que for esperto o suficiente para tornar pública sua indecisão vai acenar com a dúvida na frente da Casa Branca".

Mas varia o quanto cada se impressionará com o glamour de uma audiência pessoal, afirmou. "Uma audiência no Salão Oval – ou um almoço ou café da manhã – pode fazer a diferença no grupo médio e moderado, porque eles gostam de dizer depois 'o presidente realmente me ouviu'".

AP
Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, participa de audiência do Comitê de Relações Exteriores do Senado (3/9)

3. Solte os caciques

A votação sobre a Síria será livre e as lideranças dos partidos republicano e democrata apoiam Obama, mas ainda há muito trabalho de convencimento a ser feito pelos caciques dos partidos.

"As lideranças democratas atuarão para o presidente", disse Sabato. "As republicanas cuidarão dos votos necessários, porque Boehrer e Cantor desejarão mais informações sobre quem irão apoiar".

"Eles podem mandar algumas pessoas (que votariam contra um ataque) ir tomar um café durante a votação".

4. Toma lá dá cá

Há certos incentivos discretos que podem ser oferecidos aos congressistas que ainda não se decidiram.

Eles seriam especificamente relacionados à questão da Síria, como um acordo para providenciar ajuda humanitária ou limitar a ação a um curto período de tempo, disse Shaun Bowler, professor de ciência política da Universidade Califórnia Riverside.

Recompensas mais amplas poderiam ser fornecidas nas eleições legislativas de 2014 — um jantar para levantar fundos com Joe Biden ou ajuda para comprar espaço na televisão, segundo Bowler. "Ou talvez: 'você faz oposição hoje, mas não venha procurar ajuda em 2014'".

Buck McKeon, o presidente republicano do Comitê de Serviços Armados da Câmara dos Representantes disse que "ainda está aberto" sobre o assunto e pediu que o governo pare de fazer cortes nas despesas militares.

5. 'O presidente está na linha'

Um alto funcionário do governo descreveu a estratégia para levar a mensagem do presidente para o Congresso como uma "inundação" — ou seja, bombardear os parlamentares com grande quantidade de telefonemas e reuniões de instrução.

A mensagem republicana para os indecisos é simples, segundo Sabato: não anulem a iniciativa do presidente. "A coisa mais importante em um dos Congressos mais polarizados da história é um apelo puramente partidário".

O presidente Obama, o vice Joe Biden e o chefe de gabinete Denis McDonough telefonaram no domingo para diversos congressistas e voltaram às linhas telefônicas na segunda-feira.

John Kerry também realizou uma conferência por telefone com mais de 100 membros democratas da Câmara dos Representantes e funcionários do governo para informá-los sobre dados de inteligência.

AP
Presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado dos EUA, democrata Robert Menendez (D), e o republicano Bob Corker são vistos em sessão em Washington

6. Use seus 'tenentes' para apresentar o caso

O secretário de Estado, John Kerry, o secretário de Defesa, Chuck Hagel, e o general Martin Dempsey, principal conselheiro militar do governo, apresentaram a questão à Comissão de Relações Exteriores do Senado na terça-feira.

"Essa não é hora para isolacionismo", disse Kerry. "Essa não é a hora para sermos espectadores de uma matança. Nem nosso país, nem nossas consciências podem pagar o custo do silêncio"

Mas o fato do governo ter sido tão questionado é um lembrete de que mesmo que o presidente vença a votação no Congresso, convencer o país pode ser uma tarefa mais difícil.

Leia tudo sobre: mundo árabearmas químicassíriaassadobamaeuacongressokerryprimavera árabe

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas