Relatores da ONU questionam detenção de brasileiro em Londres, diz jornal

Por BBC Brasil |

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Parceiro do jornalista do caso Snowden, David Miranda teve documentos confiscados em Londres há 2 semanas

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Há pouco mais de duas semanas desde a detenção do brasileiro David Miranda no aeroporto de Heathrow, em Londres, dois representantes da ONU fizeram um alerta ao governo britânico no qual ressaltam que a necessidade de proteger segredos de Estado não pode servir de desculpa para "intimidar a imprensa", segundo o jornal britânico The Guardian.

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De acordo com a publicação, Frank de La Rue, relator especial das Nações Unidas para a liberdade de expressão, e Ben Emmerson, relator para temas de direitos humanos e combate ao terrorismo, escreveram para o governo do primeiro-ministro David Cameron pedindo informações sobre a legalidade da detenção de Miranda.

"Sob nenhuma circunstância jornalistas, membros da mídia ou da sociedade civil que tiverem acesso a informações secretas sobre violações aos direitos humanos podem ser intimidados ou punidos", teria dito La Rue.

O brasileiro foi detido por nove horas no dia 18 e questionado com base na lei antiterror, que permite às forças de segurança britânicas pararem qualquer pessoa em trânsito pelo país. Além disso, documentos e dispositivos eletrônicos que ele levava foram confiscados.

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Na ocasião, Miranda voltava de Berlim, onde esteve com a cineasta americana Laura Poitras, que trabalha com seu companheiro, Glenn Greenwald, nas investigações do material vazado por Edward Snowden, ex-funcionário de uma prestadora de serviços da Agência Nacional de Segurança americana (NSA, sigla em inglês).

Debate público

La Rue também teria defendido um debate público sobre as revelações feitas por Snowden sobre a existência de uma extensa rede de espionagem na qual agentes americanos teriam acesso a emails, ligações via Skype e trocas de mensagem online de milhares de cidadãos americanos e estrangeiros.

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No último fim de semana, uma reportagem veiculada pela TV Globo denunciou a existência de documentos secretos conseguidos junto a Snowden que mostrariam que a NSA teria monitorado inclusive conversas entre a presidente Dilma Rousseff e seus principais assessores.

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A denúncia causou grande mal-estar entre o governo brasileiro e a Casa Branca e há rumores de que Dilma poderia adiar sua visita aos EUA, prevista para o mês que vem. Na quarta-feira, Obama cogitou publicamente pela primeira vez uma proposta de lei que limitaria os poderes da NSA.

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