Vice-chanceler da Síria afirmou que intervenção americana desestabilizaria Oriente Médio e aumentaria ódio aos EUA

O vice-ministro das Relações Exteriores na Síria afirmou neste domingo (1º) que qualquer ação militar americana contra o país seria equivalente a um apoio dos EUA à "Al-Qaeda e seus grupos afiliados".

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Garota síria segura cartaz pedindo ação internacional contra o regime do país durante manifestação em Maaret al-Numan, na província de Idlib (1/9/2013)
AP
Garota síria segura cartaz pedindo ação internacional contra o regime do país durante manifestação em Maaret al-Numan, na província de Idlib (1/9/2013)

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Faisal Mekdad disse em entrevista à BBC que grupos armados apoiados pelos EUA foram responsáveis pelo uso de armas químicas no conflito interno do país – e não o governo.

No fim de semana, o presidente americano, Barack Obama, prometeu uma resposta contra a Síria, mas disse que qualquer ação depende de aprovação prévia do Congresso .

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Mekdad disse que um eventual ataque americano beneficiaria dois grupos ligados à Al-Qaeda: o Jabat al-Nusra e o Estado do Islã na Síria e no Iraque. Ambos vêm desempenhando uma papel importante na insurgência contra o regime de Bashar al-Assad.

O vice-ministro sírio – que é tido como muito influente no governo de Assad – disse que uma intervenção americana no país aprofundaria o "ódio aos americanos" no Oriente Médio e desestabilizaria a região.

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Mekdad disse que o fato de Obama ter recuado no fim de semana, pedindo agora aprovação do Congresso americano, é um sinal de que o presidente americano não pensou com cuidado em todas as consequências que uma ação teria.

Mas ele acredita que o recuo de Obama não fará muita diferença. "Isso não mudou nada, já que ele está decidido a lançar um ataque." Ele acredita que a decisão americana será tomada em defesa dos interesses de Israel.

Gás sarin

O fim de semana teve diversos desdobramentos do caso sírio:

- Ministros das Relações Exteriores da Liga Árabe, reunidos no Cairo, pediram que a comunidade internacional "adote ações necessárias" contra a Síria. Mas diversos países – como Líbano e Iraque – não apoiaram à manifestação.

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- A Jordânia – um dos principais aliados dos EUA no Oriente Médio – descartou qualquer envolvimento em uma eventual coalizão de forças contra a Síria.

- O primeiro-ministro francês, Jean-Marc Ayrult, se encontrará com líderes parlamentares para falar sobre planos de uma ação militar francesa. O governo da França está comprometido com os planos americanos na Síria.

- No sábado, inspetores da ONU deixaram a Síria . Eles estão agora analisando dados coletados sobre possíveis ataques com armas químicas.

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O maior ataque com armas químicas aconteceu no dia 21 de agosto, em subúrbios ao leste da capital Damasco. Os EUA alegam que o ataque deixou 1.429 mortos , incluindo 426 crianças.

EUA e França acusam o regime sírio de usar armas químicas, e dizem que isso justificaria uma ação militar internacional no país. A Síria nega as acusações, e culpa os insurgentes que há dois anos lutam contra o governo.

Veja imagens da guerra na Síria desde o início deste ano:

No domingo, o secretário de Estado americano, John Kerry, disse que os EUA têm provas de que o agente químico nervoso sarin foi usado em um ataque mortal em Damasco no mês passado.

Kerry disse que amostras de cabelo e sangue, reunidas após o ataque de 21 de agosto, apresentaram resultado "positivo para o uso de sarin" .

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