Sumiço de mãe e filha faz polícia francesa reabrir caso de brasileira

Por BBC Brasil |

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As três desapareceram após terem sido vistas pela última vez por soldado da Legião Estrangeira que se enforcou

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Divulgação
A brasileira Simone de Oliveira Alves foi amante de legionário cuja mulher e filha sumiram em 2013

A Justiça francesa reabriu as investigações sobre o desaparecimento de uma brasileira no sul da França, em 2004, após o sumiço recente de uma mãe e sua filha em circunstâncias similares na cidade de Perpignan. O caso também envolve uma mesma pessoa que teria visto as mulheres com vida pela última vez: um soldado da Legião Estrangeira.

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Marie-Josée Benitez e sua filha Allison, chamadas pela imprensa de "desaparecidas de Perpignan", não deram mais sinal de vida desde 14 de julho.

O legionário Francisco Benitez, marido de Marie-Josée e pai de Allison, se enforcou em agosto na caserna onde trabalhava, após ter gravado um vídeo, divulgado no site da revista Paris Match, no qual afirmava sua inocência no desaparecimento de sua esposa e filha.

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A brasileira Simone de Oliveira Alves, nascida em Santana, no Amapá, foi amante de Benitez durante vários anos. Ela residia em Nîmes, no sul da França, com seus quatro filhos (de união anterior) quando desapareceu, em novembro de 2004, aos 28 anos. Ela trabalhava como garçonete em um bar.

Sua ficha na lista de pessoas desaparecidas, elaborada pela polícia francesa, diz que Alves "não foi mais vista depois de pegar algumas roupas em sua casa e ter deixado seus filhos sob os cuidados de outra pessoa".

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Segundo investigadores ouvidos pela imprensa francesa, Benitez, também chamado de "Paco", teria sido a última pessoa a ver a brasileira e também sua esposa e filha.

Após a ampla repercussão do caso das "desaparecidas de Perpignan", familiares de Alves que residem na França e na Guiana Francesa e seu ex-marido, também legionário, viram o nome e a foto de Benitez nos jornais e alertaram as autoridades policiais.

A família de Alves havia prestado queixa na época contra o legionário. Benitez foi interrogado sobre o desaparecimento da brasileira, mas sua carreira, considerada exemplar na Legião Estrangeira, evitou que houvesse suspeitas.

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Os familiares de Alves alertaram as autoridades sobre as semelhanças nas circunstâncias dos desaparecimentos e o fato de que Benitez era um elemento comum nas duas histórias.

A Justiça de Nîmes decidiu reabrir as investigações sobre o desaparecimento da brasileira, que haviam sido encerradas em 2007, anunciou o procurador Éric Emmanuelidis. A partir disso, os investigadores passaram a privilegiar a hipótese de crime nos dois desaparecimentos.

Em ambos os casos, Benitez não alertou a polícia. Ele afirmou, tanto em relação à brasileira, em 2004, quanto à sua esposa, que haviam brigado e considerava normal que elas não dessem notícias.

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O último sinal de vida dado pela brasileira, segundo os investigadores, foi um torpedo enviado a Benitez onde ela anunciava que iria embora de Nîmes. Sua esposa também teria enviado um torpedo a uma filha (de outro casamento) informando que se mudaria para Toulouse, nas proximidades de Perpignan.

Os telefones pertenciam às desaparecidas, mas não há provas de que elas tenham escrito as mensagens. Nos dois casos, nenhuma ligação telefônica ou movimentação bancária foi realizada após o envio desses torpedos.

Congelador

A hipótese de crime no caso de Perpignan foi reforçada na segunda-feira, após a revelação, segundo o canal de TV France 3, de que o DNA da esposa e da filha foram encontrados em um congelador que pertencia a Benitez e também em uma máquina de lavar roupa na caserna onde ele trabalhava.

Mas, segundo investigadores, ainda não é possível excluir a possibilidade de que o DNA da esposa e da filha encontrado no congelador seja decorrente da utilização normal do aparelho. A polícia informa que essas descobertas ainda precisam ser analisadas antes de se tirar conclusões definitivas.

Parentes da brasileira afirmaram à imprensa francesa que ela "nunca teria abandonado seus quatro filhos" e que a polícia "não fez seu trabalho" na época do desaparecimento de Alves.

Eles também criticam o fato de Benitez ter sido deixado em liberdade após ter sido interrogado no caso de sua esposa e filha. Isso, segundo eles, teria evitado que ele se suicidasse.

"A retomada das investigações nos dá esperança de encontrar finalmente uma resposta para essa tão longa ausência", disse a uma TV francesa regional Felipe de Oliveira Alves, irmão de Simone, que mora na Guiana Francesa.

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