Síria libera entrada de inspetores da ONU em área de suposto ataque químico

Por BBC |

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Governo vai deixar que representantes das Nações Unidas visitem área de suposto ataque químico

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O governo da Síria anunciou neste domingo que vai conceder acesso aos inspetores da ONU a áreas de Damasco que sofreram um suposto ataque com armas químicas na quarta-feira. A equipe poderá iniciar as investigações nesta segunda-feira.

AP
Fumaça e fogo no céu sobre Damasco em um dos episódios da guerra civil


Em nota, um porta-voz do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, informou que os inspetores estão "se preparando para conduzir atividades de busca no local".

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"O secretário-geral observa que a República Árabe da Síria afirmou que fornecerá a cooperação necessária, incluindo a supervisão da suspensão das hostilidades nos locais relacionados aos incidentes", acrescentou o porta-voz. A decisão, transmitida em cadeia nacional pelo canal de TV estatal do país, foi anunciada pouco depois de uma autoridade do governo americano ter dito que "havia muito poucas dúvidas" sobre o uso de armas químicas pelo governo contra civis.

A autoridade, cujo nome não foi revelado, disse que baseava sua avaliação "no número de vítimas, nos sintomas dos que morreram ou receberam atendimento, relatos de testemunhas e dados reunidos por outras fontes".

No sábado, a chefe de Desarmamento das Nações Unidas, Angela Kane, chegou a Damasco para tentar convencer as autoridades sírias a liberarem o acesso dos inspetores às áreas do ataque.

'Passeio no parque'

Ativistas da oposição acusam o governo de ser o responsável pela incursão que matou mais de 300 pessoas em diversos subúrbios no leste e oeste da capital. Autoridades sírias negam as acusações e culpam "grupos terroristas" pelo ataque.

Reportagens veiculadas na televisão estatal afirmam que armas químicas foram encontradas em túneis usados pelos militantes e que alguns soldados sofreram asfixia depois que os rebeldes usaram gases venenosos como último recurso para tentar reverter os ganhos de terreno obtidos pelo governo no subúrbio de Jobar.

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Na noite de sábado, o presidente americano, Barack Obama, e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, discutiram a situação na Síria durante uma conversa telefônica de 40 minutos.

Os dois líderes concordaram que "o uso significativo de armas químicas na Síria mereceria uma resposta séria da comunidade internacional", conforme comunicado emitido por Downing Street. Horas depois, o ministro da Informação sírio, Omran Zoabi, advertiu que uma eventual intervenção militar na Síria não seria um "passeio no parque".

"Uma intervenção militar na Síria tem se provado uma opção fraca, já que o país é ainda um Estado forte, que tem instituições e um Exército", afirmou, enfatizando que "a Síria tem aliados na região".

"Se os Estados Unidos liderarem uma ação militar, isso terá sérias consequências, trazendo o caos, e essa região vai pegar fogo", alertou Zoabi.

Linha vermelha

Há um ano, o presidente Obama disse que qualquer tentativa do governo sírio de usar armas químicas seria "cruzar uma linha vermelha" e mudaria sua posição em relação ao conflito, que segundo a ONU, já matou mais de 100 mil pessoas desde 2011.

Em sua primeira entrevista desde que deixou a Síria, o ex-porta-voz do ministério das Relações Exteriores Jihad Makdissi disse à BBC no domingo que o governo terá cometido um ato suicida se ficar comprovado que foi o regime de Bashar Al-Assad foi autor do ataque com armas químicas.

"Se os agentes tóxicos foram lançados pelo governo, é suicídio. Se foram usados pelos rebeldes, é um ato criminoso. Então temos que pôr fim nesta insanidade e dar esperança ao povo sírio de que podemos alcançar algo por meio do diálogo”, acrescentou.

No entanto, Makdissi criticou a possiblidade intervenção militar estrangeira se o governo for identificado como autor do ataque. Ele argumentou que lançar mísseis não vai resolver nada e só vai servir para escalar o conflito.

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