Forças egípcias evacuam mesquita que abrigava manifestantes pró-Morsi

Por BBC | - Atualizada às

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Partidários do presidente egípcio deposto em julho tinham se refugiado em templo após confrontos de sexta-feira

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Reuters
Mãe levanta os braços enquanto acompanha filho para fora da mesquita onde partidários pró-Morsi estavam refugiados após confrontos na sexta-feira

Depois de intenso tiroteio na mesquita de al-Fatah, na praça Ramsés, no Cairo, local onde se encontravam centenas de apoiadores da Irmandade Islâmica, que pede a volta do presidente deposto Mohammed Morsi, o prédio teria sido completamente evacuado, de acordo com fontes das forças armadas.

Vários manifestantes que permaneciam em frente da mesquita formando uma barricada humana foram presos.

Imagens da TV egípcia mostrou tiros sendo trocados entre um homem em uma das torres da mesquita e membros das forças armadas que estavam do lado de fora.

Há poucas horas, o governo interino propôs que o partido da Irmandade Islâmica fosse legalmente dissolvido.

Manhã tensa
Mais cedo, forças de segurança do Egito chegaram a entrar na mesquita de al-Fateh, na praça Ramsés, no Cairo, onde se concentram centenas de apoiadores do presidente deposto do Egito Mohammed Morsi - todos membros do partido da Irmandade Islâmica - para tentar, sem sucesso, convencer os manifestantes a deixarem o local.

Naquele momento, a tensão era reforçada pelo grande número veículos armados e de homens da polícia que cercam toda a área no entorno da mesquita.

Os manifestantes diziam que não acreditam na promessa do governo que permitir a saída de todos de maneira segura, sem ações de violência, por isso se recusavam a deixar o local.

Na sexta-feira, outro violento confronto entre a polícia e membros da Irmandade Islâmica deixou um total de 173 pessoas mortas (os últimos dados das autoridades de saúde egípcias) e mil manifestantes foram presos.

Esse último confronto aconteceu depois que um protesto organizado pela Irmandade Islâmica tomou novamente as ruas do Cairo em resposta aos atos do governo egípcio, que desocupou os dois acampamentos do grupo na capital - a ação deixou pelo menos 638 mortos e milhares de feridos.

Veja a cronologia dos últimos confrontos no Egito:
3 julho: Presidente Mohammed Morsi é deposto por militares depois de grandes protestos
4 julho: Manifestantes apoiadores de Morsi se concentraram em acampamentos nas áreas de Rabaa al-Adawiya e Nahda no Cairo
27 julho: Mais de 70 pessoas foram mortas em confrontos com as forças de segurança em Rabaa al-Adawiya
14 agosto: Forças de segurança do Egito iniciam desocupação dos acampamantos em Rabaa al-Adawiya e Nahda, deixando um saldo de 638 mortos e milhares de feridos.
16 agosto: em novo confronto na sexta-feira, 173 pessoas foram mortas, de acordo com autoridades de saúde do Egito.

A Irmandade Islâmica pede o reestabelecimento de Mohammed Morsi ao poder - o primeiro presidente do Egito eleito democraticamente - que foi retirado da presidência no mês passado pelo exército e reposto por um governo interino.

Medo

Neste sábado, a polícia tomou conta da mesquita de al-Fatah, na praça Ramsés, no Cairo, onde apoiadores de Morsi entraram para se proteger.

Alguns agentes das forças de segurança egípcias chegaram a entrar no prédio na tentativa de convencê-los a sair.

Perguntas e respostas: Entenda as causas dos conflitos no Egito

Imagens ao vivo das TVs egípcias mostraram que homens da polícia do lado de fora da mesquita utilizavam uniformes especiais para uso em confronto.

Em uma ocasião, os homens das forças de segurança atiraram para o ar para manter protestantes à distância quando um pequeno grupo de mulheres foi escoltado para sair da mesquita.

Outros apoiadores de Morsi também deixaram a mesquita, mas correspondentes dizem que dezenas de manifestantes que estão no salão de entrada se recusavam a sair.

Cerca de mil pessoas entraram na mesquita para se proteger dos confrontos que tomaram conta da praça Ramsés, na sexta.

Oficiais de segurança afirmaram em entrevista à agencia de notícias Mena News que "elementos armados" fizeram disparos de dentro da mesquita.

A mesquita acabou rapidamente se enchendo com mortos e feridos, além dos que estava procurando refúgio para se proteger dos confrontos.

O ministro egípcio do interior disse em nota neste sábado que 1.004 "elementos da Irmandade Islâmica" foram presos na sexta, sendo 558 apenas no Cairo.

'Dia de Ira'

A Irmandade Islâmica se manteve nas ruas desde que o exército depôs o presidente Mohammed Morsi no dia 3 de julho.

Na última quarta-feira, pelo menos 638 pessoas morreram quando dois dos acampamentos da Irmandade Islâmica foram desocupados, ação que ganhou repercussão internacional, com vários líderes condenando os atos de violência contra os manifestantes.

Nos protestos de sexta, que ganhou o nome de "dia de ira", foi um levante contra a violenta ação do governo na quarta.

O governo interino do Egito declarou estado de emergência, incluindo toques de recolher na capital e em outras áreas.

O ministro do interior disse que a polícia foi autorizada a utilizar armas carregadas com munição verdadeira, o que estaria dentro de "medidas legais".
Expecativa

Correspondentes dizem que o clima no Cairo é tenso, com muitos homens das forças armadas e veículos armados nas ruas.

O exército bloqueou todas as entradas da praça de Tahrir - o palco principal dos manifestos que levaram a queda do presidente Hosni Mubarak em 2011.

Enquanto isso, grupos que apoiam o exército do governo interino - The National Salvation Front e Tamarod - estariam organizando manifestações em resposta aos protestos da Irmandade Islâmica.

A violência de sexta-feira começou pouco depois do meio-dia, quando milhares de apoiadores de Morsi atenderam os pedidos da Irmandade Islâmica de saírem as ruas.

Testemunhas disseram que civis armados estavam entre os que se confrontaram com os manifestantes, enquanto outras pessoas vigiavam certas áreas bloqueando ruas para evitar o acesso de membros da Irmandade Islâmica.

Em outras áreas do Egito, pelo menos 21 pessoas foram mortas in Alexandria (2), Suez (6) , Damietta (8) e Fayoum (5), de acordo com fontes médicas.

Mohammed Morsi permanece em custódia, acusado de assassinato durante uma tentativa de fuga. O período de detenção do ex-presidente foi estendido por mais 30 dias, na quinta-feira passada, conforme dizem os veículos de informação do governo.

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