Tamarod: o movimento que quer saída de presidente do Egito

Por BBC Brasil |

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Movimento que significa 'rebelde' recusa negociações e pede saída da Irmandade Muçulmana do poder

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Tamarod é o mais novo movimento popular de protesto no Egito, que está por trás das recentes manifestações nacionais contra o governo do presidente Mohammed Morsi, um ano após ele ter assumido o poder .

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Segunda: Manifestantes invadem sede da Irmandade Muçulmana no Cairo

AP
Opositora do presidente islâmico Mohammed Morsi segura um cartaz em árabe no qual lê-se: "Tamarod: o fim do regime da Irmandade Muçulmana" (30/6)

Assista ao vídeo: Manifestantes atacam sede da Irmandade Muçulmana

Domingo: Protestos da oposição reúnem milhares no Egito

O grupo, cujo nome significa "rebelde" em árabe, afirma ter obtido 22 milhões de assinaturas pedindo a renúncia de Morsi e a convocação de eleições presidenciais antecipadas.

Após as grandes manifestações de domingo , que levaram milhões de pessoas às ruas de Cairo e de outras cidades, o Tamarod deu ao presidente um ultimato para renunciar até 17h desta terça-feira (15h GMT) ou enfrentar uma campanha de "completa desobediência civil".

Cairo: Opositores e partidários do presidente egípcio marcham

O movimento pediu que "instituições do Estado, incluindo o Exército, a polícia e o Judiciário, claramente se alinhem à vontade popular representada pelos multidões".

O Tamarod também rejeitou recentes ofertas de diálogo feitas pelo presidente.

Em um comunicado, o movimento afirmou: "Não há como aceitar meias medidas. Não há outra alternativa a não ser o fim pacífico do mandato da Irmandade Muçulmana e de seu representante, Mohammed Morsi".

'Presidente e sua tribo'

Muitos dos manifestantes acusam o presidente de colocar os interesses da Irmandade Muçulmana, o poderoso movimento islâmico ao qual ele pertence, acima do país como um todo. Seus correligionários negam a acusação.

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Os ativistas do Tamarod rapidamente se tornaram uma cara familiar nas ruas egípcias, frequentemente bloqueando o trânsito para entregar petições. O grupo também coletou assinaturas em seu site, bem como por Facebook e Twitter.

Ao final de junho, o grupo diz ter reunido 15 milhões de assinaturas. Os ativistas contam ter conferido as assinaturas se valendo de um recente registro eleitoral do Ministério do Interior.

A Irmandade Muçulmana afirmou, no entanto, que as assinaturas reunidas pelo Tamarod se limitavam, na verdade, a um total de 170 mil.

No sábado, o grupo ativista disse ter coletado um total de 22 milhões de assinaturas, o que representa mais de um quarto da população do Egito.

Um dos criadores do Tamarod descreveu o êxito do grupo como sendo "assombroso". "Já não sei dizer quantos membros nós temos lá fora. Posso pensar em milhões de egípcios que são membros", afirmou o ativista Ahmed al-Masry.

"Em determinado momento, as pessoas desistiram ( do presidente Morsi ). Ninguém é ouvido a não ser o presidente e a sua tribo."

Os itens da petição do Tamarod

A segurança não foi retomada desde a revolução de 2011

Os pobres não têm um lugar na sociedade

O governo teve de "suplicar" ao Fundo Monetário Internacional (FMI) por um empréstimo de US$ 4,8 bilhões (cerca de R$ 10,7 bilhões) para sanar as finanças públicas

Não houve justiça para pessoas mortas por forças de segurança durante o levante e os protestos anti-governamentais desde então

Não há tratamento digno para os egípcios ou para seu país

O Egito está seguindo a cartilha dos Estados Unidos

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