Brasileiros sobrevivem a inundações que mataram mais de 800 no norte da Índia

Por BBC Brasil |

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Dez brasileiros sobreviveram às fortes enchentes na região da Cordilheira do Himalaia; tragédia é a pior em 80 anos

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Dez brasileiros sobreviveram às fortes inundações que atingem a região da Cordilheira do Himalaia, no norte da Índia, há 11 dias, e deixaram mais de 800 mortos - na maior tragédia do tipo dos últimos 80 anos no país.

Leia: Índia faz ampla operação de resgate após mortes por enchentes

AP
Soldados indianos resgatam uma mulher da Geleira de Pindari, no Estado de Uttarakhand, norte da Índia

Dia 21: Número de mortos por enchentes na Índia passa de 500

Cinco turistas brasileiros que viajavam com um grupo de cerca de 40 estrangeiros, a maioria americanos e canadenses, foram surpreendidos pela violência dos rios na região montanhosa.

De acordo com Vineet Khare, repórter do Serviço Indiano da BBC que chegou à região e entrevistou membros do grupo, eles conseguiram se refugiar e sobreviver à força das águas e depois caminharam rumo ao local de onde helicópteros fizeram o resgate.

"Eles presenciaram a força dos rios, a violência da correnteza. Foi um milagre terem sobrevivido", diz, acrescentando que o grupo foi à região em busca de cursos de ioga e meditação.

"Foi realmente um milagre. Foi muito difícil para todos (ao perceber que) teríamos de caminhar até o outro lado da montanha para chegar até os helicópteros", disse à BBC o colombiano Luis Henao, que estava no grupo.

"Estamos muito agradecidos às organizações locais e ao governo indiano. O rio vinha na nossa direção, e recuou para o outro lado, foi inacreditável."

Proporções épicas

O norte da Índia é notório pela grande quantidade de ashrams, espaços de retiros espirituais, estudo de meditação e aulas de ioga, entre outras práticas.

Em entrevista à BBC Brasil, uma diplomata da Embaixada do Brasil em Nova Délhi disse que outros três irmãos brasileiros estavam na região e, após sobreviverem à passagem das águas, tiveram de andar por dois dias atravessando as montanhas até serem resgatados por helicópteros.

Além deles, um casal que estava num ashram de Rishikesh relatou ter passado momentos de preocupação, com cortes de energia e o clima generalizado de tensão. No entanto, como o local não foi atingido diretamente pelas inundações, os dois resolveram permanecer no retiro.

A diplomata explicou que a tragédia é realmente de proporções épicas e que alguns aspectos têm tornado o resgate cada vez mais difícil. Segundo a representação diplomática brasileira, ainda há regiões completamente isoladas. "Muitas pessoas estão presas, e certamente há muitos corpos soterrados."

AP
Favela ao longo das margens do rio Yamuna é vista parcialmente inundada em Nova Délhi, Índia (20/06)

Ela explicou que nesta época do ano a região do Himalaia, que abriga uma série de importantes templos hindus e budistas, recebe a visita de milhares de peregrinos indianos e estrangeiros, e as monções (chuvas sazonais), que geralmente chegam ao norte do país em julho, atingiram a região mais cedo neste ano e com uma violência não vista há muitas décadas. O Itamaraty não divulgou os nomes dos sobreviventes.

Cremações e mau tempo

Nesta quinta-feira, o governo indiano começou a cremar dezenas dos mais de 800 corpos das vítimas fatais da tragédia e confirmou que ao menos 100 mil pessoas foram retiradas das montanhas.

Em um sinal da dificuldade das operações de resgate no local, na última terça-feira muitas pessoas que eram resgatadas em um helicóptero morreram quando a aeronave caiu por causa de uma tempestade. A previsão de mau tempo e neve em alguns dos pontos da cordilheira devem dificultar ainda mais os trabalhos das equipes de emergência.

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