Kirchnerismo completa 10 anos em meio a entraves comerciais com Brasil

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Empresários reclamam de postura do governo que, contado desde Néstor, iniciou em 2003

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A era Kirchner completa dez anos neste sábado, marcada pela multiplicação do comércio entre Brasil e Argentina, mas também por tensões econômicas bilaterais, afirmam especialistas ouvidos pela BBC Brasil. O período conhecido como kirchnerismo surgiu com a posse do ex-presidente Néstor Kirchner, que governou o país entre 2003 e 2007, e prosseguiu no governo de sua viúva e sucessora, Cristina Kirchner, reeleita em 2011.

AP
Dilma e Cristina tem se reunido por conta de desentendimentos entre governo argentino e empresas brasileiras

Apesar do comércio entre Brasil e Argentina ter aumentado de US$ 7 bilhões para US$ 40 bilhões nos últimos dez anos, também cresceram barreiras comerciais que restringem o comércio de produtos agrícolas e industriais nos dois lados da fronteira. A suspensão de uma obra bilionária da Vale do Rio Doce na Argentina e da venda de ativos da Petrobras no país vizinho são as evidências mais recentes das diferenças entre os dois países.

No mês passado, as presidentes Dilma Rousseff e Cristina Kirchner se reuniram em Buenos Aires para tentar resolver os desentendimentos entre empresas brasileiras e autoridades argentinas. Na ocasião, um executivo brasileiro que não quis se identificar disse esperar que Dilma transmitisse a Cristina "a preocupação" dos empresários com negócios na Argentina.

"Estamos entre os principais investidores estrangeiros na Argentina, mas ultimamente enfrentamos muitas dificuldades, seja por questões internas, como a inflação que aumenta nossos custos e reduz nossos lucros, como pelas barreiras que dificultam as exportações brasileiras", disse ele.

Da aliança à tensão

Para o economista Marcelo Elizondo, da consultoria DNI, o impasse envolvendo as operações da Vale e da Petrobras na Argentina sinalizam como evoluíram as relações entre os dois países na última década. " Ao longo destes dez anos, os dois vizinhos passaram de um período de aliança e forte complementação econômica para o atual momento de tensão e diferenças", disse o economista. Na avaliação de Jorge Todesca, diretor de consultoria Finsoport e ex-vice ministro de economia da Argentina, apesar de serem amigos e compartilharem afinidades políticas e ideológicas, Brasil e Argentina não conseguiram superar os entraves comerciais ao longo dos dez anos da era Kirchner.

Para outro economista, Dante Sica, da consultoria portenha Abeceb, a expansão do comércio bilateral foi possível graças ao crescimento das duas economias, impulsionado, entre outros fatores, pelo boom das exportações de commodities para países asiáticos. "A dúvida agora é se a economia argentina vive uma desaceleração (do crescimento) ou se realmente perdeu o embalo", disse Sica.

O Brasil é o principal destino das exportações argentinas e a Argentina fica em terceiro na lista dos parceiros comerciais do Brasil. Com as duas economias registrando menor crescimento desde o ano passado, aumentaram as fricções, dizem os especialistas. Como exemplo, Elizondo citou a redução nas importações de produtos brasileiros pela Argentina, que passaram de US$ 21,7 bilhões em 2011 para US$ 17,9 bilhões no ano passado, uma queda de 17,8%. Para Elizondo, a aliança entre os vizinhos persiste, porém "o clima não é dos melhores".

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