Escravas sexuais 'foram necessárias' na Segunda Guerra, diz prefeito japonês

Por BBC Brasil | - Atualizada às

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Toru Hashimoto já havia causado polêmica ao afirmar que Japão precisava de uma 'ditadura'; para ele, as chamadas mulheres de conforto deram aos soldados 'uma chance para relaxar'

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O prefeito de Osaka, no Japão, causou polêmica ao dizer que o sistema que forçou milhares de mulheres de outros países a se prostituirem durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) para atender soldados japoneses foi "necessário".

Durante o conflito, cerca de 200 mil mulheres de territórios ocupados pelo Japão foram obrigadas a atuar como escravas sexuais para soldados do Exército japonês. A maioria era da China e da Coreia, mas também havia mulheres das Filipinas e da Indonésia.

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AP
Toru Hashimoto, prefeito de Osaka, participa de coletiva na cidade a oeste do Japão

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Toru Hashimoto disse que as "mulheres de conforto", como ficaram conhecidas, deram aos soldados japoneses uma "chance para relaxar".

O prefeito disse que naquelas circunstâncias "em que balas voavam como chuva e vento, os soldados corriam o risco de perder suas vidas". "Para que eles descansassem, um esquema de mulheres de conforto era necessário. Qualquer um pode entender isso."

Nacionalista

Hashimoto é cofundador do partido nacionalista japonês Restauração, que tem poucos assentos no Parlamento e não faz parte do governo.

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Ele foi o governador mais jovem da história do Japão antes de se tornar prefeito de Osaka. No ano passado, ele já havia causado polêmica quando disse que o Japão precisava de uma "ditadura".

Hashimoto reconheceu que as mulheres eram forçadas a ser escravas sexuais contra sua vontade. Mas ele lembrou que o Japão não foi o único país a usar o sistema, apesar de ser "responsável por suas ações".

O prefeito de Osaka disse também que concordou com um pronunciamento do ex-primeiro-ministro japonês Tomiichi Murayama, que em 1995 se desculpou pelas ações do Japão na Ásia durante a guerra.

Tensão regional

A forma como o governo do Japão interpreta sua participação do país na Segunda Guerra sempre foi fonte de tensão com os vizinhos e, após o pronunciamento de Hashimoto, uma autoridade sul-coreana expressou sua "profunda decepção".

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"Há um reconhecimento internacional de que a questão das ‘mulheres de conforto’ remonta a casos de estupro cometidos pelo Japão durante seu passado imperial, em uma série de violações de direitos humanos", disse um porta-voz do ministério das Relaçes Exteriores da Coreia do Sul à agência de notícias AFP.

Nesta terça-feira, membros do governo japonês tentaram se distanciar dos comentários do prefeito Hashimoto. O porta-voz do governo japonês Yoshihide Suga não quis comentar diretamente o episódio, reiterando que o governo "sente por pessoas que passaram por momentos difíceis, que são impossíveis de descrever".

Em 1993, o Japão emitiu um pedido de desculpas pela "dor imensurável e o sofrimento causado às mulheres de conforto". Em 1995, o país também se desculpou por suas agressões durante a guerra.

No mês passado, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, causou revolta na China e na Coreia do Sul ao sugerir que seu país não iria mais reconhecer seus próprios pedidos de desculpa de 1995.

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