Conheça a argentina que será rainha da Holanda

Por BBC Brasil | - Atualizada às

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Máxima Zorreguieta, de 41 anos, torna-se rainha consorte nesta terça, quando monarca Beatrix passa sua coroa para o príncipe Willem-Alexander

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Bastou uma lágrima para que a argentina Máxima Zorreguieta, de 41 anos, conquistasse a simpatia de toda a Holanda, país do qual será rainha consorte a partir desta terça. Há 11 anos, quando se casou com o príncipe Willem-Alexander, a economista era desconhecida no pequeno reino europeu, e o fato de seu pai, Jorge Zorreguieta, ter sido secretário de Agricultura do governo ditatorial de Jorge Rafael Videla (1976-1981) na Argentina era uma mancha em sua reputação.

AP
Rainha holandesa Beatrix (C), príncipe Willem-Alexander e sua mulher, Máxima, chegam a banquete em Rijksmuseum, Amsterdã

Mas o choro pela ausência do pai, proibido de participar da cerimônia pelas autoridades holandesas, e também da mãe, que optou por não ir sozinha, reverteu a situação drasticamente. Sua demonstração pública de emoção foi vista com bons olhos e, nos últimos anos, sua popularidade chegou a ser maior do que a do marido e da própria sogra, a rainha Beatrix, que nesta terça passa a coroa ao filho.

Vídeo: Rainha Beatrix da Holanda abdica em favor de seu filho mais velho

Essa é a primeira vez em mais de 120 anos que a Holanda terá um rei - a história recente tem reservado o trono do país às mulheres: Emma (rainha regente de 1890 a 1898), Wilhelmina (1898 a 1948), Juliana (1948 a 1980) e Beatrix (1980 a 2013). E a linha de sucessão após o novo monarca começa com a princesa Catharina-Amalia, filha de Máxima e de Willem-Alexander. A herdeira do trono holandês tem ainda duas irmãs, Alexia e Ariane.

Plebeia

Máxima seria a primeira nascida na América Latina (no caso dela, em Buenos Aires) a ocupar o posto de rainha-consorte em um país europeu.

A rainha Sílvia, da Suécia, nascida na cidade alemã de Heidelberg, é filha de pai alemão e mãe brasileira e morou em São Paulo entre 1947 e 1957. Ela fala português fluentemente e ocupa o posto na monarquia sueca desde 1973, quando o Carl 16º Gustaf se tornou rei. Em comum, as duas têm um passado de plebeias pertencentes à elite.

Máxima estudou no famoso colégio bilíngue Northlands, em um bairro nobre da capital argentina, e depois de se formar em economia, em 1995, mudou-se para Nova York, onde trabalhou em uma série de instituições financeiras, entre elas o Deutsche Bank.

Assista ao vídeo sobre troca de monarquia na Holanda:

Após um tempo de carreira e períodos de trabalho nos EUA e na Europa, foi apresentada a Willem-Alexander por uma amiga aristocrata durante uma viagem e dois anos depois estava casada com o futuro chefe da monarquia Orange-Nassau.

Destaque e acusações

Além da personalidade latina, emotiva, Máxima se destacou pelo interesse pela cultura local e a rapidez com que aprendeu a falar holandês. Em 2009 foi nomeada como representante de um programa especial das Nações Unidas para avançar o desenvolvimento inclusivo por meio do microcrédito e viajou por diversos países.

Mas ela e o marido também já foram alvos de acusações. Em 2011, um jornal holandês acusou os dois de evasão de impostos por meio de um paraíso fiscal. A polêmica surgiu por um projeto do casal de construir uma casa de veraneio em Moçambique - que logo foi descartado.

A imprensa holandesa também já levantou a questão das férias extravagantes do casal, para lugares caros e exóticos.

Monarquia holandesa

A família real holandesa é tradicionalmente informal quando comparada a outras monarquias europeias. Os príncipes costumam estudar em escolas públicas, e as cerimônias são menos pomposas.

Mas os mesmos monarcas que patinam no gelo ao lado dos súditos mantêm a casa real mais cara da Europa: de acordo com um informe divulgado em 2011, os gastos anuais dos Orange-Nassau superam os US$ 50 milhões anuais (cerca de R$ 100 milhões).

Apesar dos altos gastos da família real, 59% dos holandeses dizem confiar nos Orange-Nassau, enquanto apenas 12% demonstram confiança nos políticos, e 75% apoiam a manutenção da monarquia constitucional.

O rei e a rainha já anunciaram que por ora continuarão vivendo em Wassenaar, uma pequena cidade de 25 mil habitantes em uma das áreas mais ricas da Holanda, e que devem levar alguns anos até se mudarem para o palácio real de Bosch, em Haia. Além disso, manterão a herdeira do trono holandês e suas irmãs na escola pública onde estudam.

A festa de coroação ocorre na terça-feira, no tradicional Queen's Day, ou Koninginnedag - o Dia da Rainha - quando as ruas e canais de Amsterdã e do resto do país se vestem de laranja para celebrar o aniversário da rainha.

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