Gaúcha afirma que nem policiais sabiam como agir após explosões: "Teve um momento em que um policial ficou gritando 'vão para casa, ninguém sabe o que está acontecendo aqui'"

BBC

Por volta de 14 horas desta segunda-feira (15h em Brasília), a gaúcha Mariana Mendoza publicou na rede social Instagram uma foto que mostrava uma grande multidão na rua Boylston, região central de Boston, nos EUA. "Cidade lotada! Todo mundo na rua para ver a maratona", escreveu a estudante, pouco mais de 40 minutos antes de duas explosões atingirem o evento .

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Corredor de 78 anos é protegido por polícia após cair durante segunda explosão perto de linha de chegada da Maratona de Boston
AP
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Morando nos EUA há nove meses, Mariana havia reservado a segunda para assistir à tradicional prova de atletismo. A maior parte do tempo ficou em um local a pouco mais de 1,6 quilômetro de distância da linha de chegada, que acabaria sendo o palco das duas explosões.

Perto do final da prova, no entanto, ela e a amiga tentaram se aproximar da parte final do trajeto. "No princípio, a gente estava em um ponto que era a uma milha de distância do final da maratona. Aí, começamos a caminhar ao longo do trajeto, mas, perto da linha de chegada havia muita, muita gente. As calçadas estavam impossíveis de andar", contou a engenheira de computação que cursa um doutorado no MIT (Massachusetts Institute of Technology).

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Explosões

Ela e a amiga ainda tentaram chegar ao local dando voltas nos quarteirões próximos, mas acabaram desistindo e sentando-se para almoçar em um restaurante a pouco mais de uma quadra de distância da linha de chegada da maratona. Foi quando ouviram a primeira explosão.

"Conversávamos e ouvimos um estrondo, tremeu tudo e o pessoal do restaurante já ficou em alerta. Todo mundo parou de comer", afirma Mariana. Ela diz que, na hora, pensou que pudesse ter havido um desabamento nas proximidades. "Daí a pouco houve outro estrondo e todo mundo se levantou e saiu correndo do restaurante. A maioria, obviamente, nem pagou a conta. Havia muita gente correndo na rua."

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Sem entender o que acontecia, Mariana e amiga ficaram paradas em uma rua paralela à rua Boylston, onde ocorria a maratona. Elas viram a chegada dos primeiros carros de polícia, bombeiros e ambulâncias para socorrer os feridos.

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"Na verdade, a gente ainda ficou um tempo lá para saber o que acontecia. Não sabíamos para aonde era seguro ir", diz a engenheira. Segundo ela, nem os policiais pareciam saber o que acontecia. "Até que teve um momento em que um policial, que já estava tenso, ficou gritando 'vão para casa, ninguém sabe o que está acontecendo aqui'."

Com a cidade cheia de bloqueios e o transporte público suspenso, ela e a amiga tiveram de continuar caminhando até Cambridge, cidade ao lado de Boston, onde moram. A caminhada levou cerca de 40 minutos.

No caminho, amigos e parentes que haviam visto a foto publicada no Instagram ligavam e mandavam mensagens para saber se estava tudo bem. Nas ruas, se deparavam com pessoas procurando entes queridos que estavam na maratona e reencontros "emocionantes". "É uma situação que a gente não imaginava que fosse passar aqui", diz.

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