Venezuela encerra campanha relâmpago e sem 'meios-termos'

Por BBC Brasil |

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Para consultoria, os curtos dez dias de campanha não foram suficientes para mudar intenções de votos dos eleitores independentes

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A Venezuela acompanha nesta quinta-feira (11) o encerramento de uma campanha eleitoral relâmpago marcada pela falta de "meios-termos", que culminará no próximo domingo (14) com a eleição do primeiro presidente eleito da era pós-Hugo Chávez.

Com um período oficial de apenas dez dias para sair às ruas, os candidatos evitaram uma discussão aprofundada das suas propostas, focando-se, em vez disso, em mensagens contundentes que acentuaram a tradicional polarização política do país.

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AP
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Se as pesquisas estiverem corretas, o candidato oficial, o presidente em exercício Nicolás Maduro, terá pelo menos dez pontos de vantagem sobre o nome da oposição, o governador do Estado de Miranda, Henrique Capriles Radonski.

Uma repetição do resultado das eleições de outubro, nas quais Chávez derrotou Capriles por 55% a 45%, seria um indicativo de que a polarização política venezuelana prosseguirá. Segundo dados da consultoria Datanálisis, o "núcleo duro" do chavismo normalmente compreende entre 35% a 40% do eleitorado, uma margem de dez pontos sobre a proporção de opositores "duros".

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Na avaliação do sócio-diretor da consultoria, Luis Vicente León, os curtos dez dias de campanha não foram suficientes para mudar significativamente as intenções de votos entre os eleitores independentes, os chamados "ni-ni" (nem-nem, em espanhol, porque não preferem nem um nem outro grupo).

Dedo apontado

Em uma entrevista ao jornal El Universal, a especialista em pesquisas eleitorais Mariana Bacalao, da Universidade Central da Venezuela (UCV), descreveu a campanha como feita de "mais frases que propostas". "Custa registrar um slogan de campanha em tão pouco tempo, por isso o que os candidatos estão buscando é causar impressão", diagnosticou.

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De fato, esta curta campanha ficou notória pela impressão causada pela contundência das acusações entre os dois principais candidatos. Capriles, cuja estratégia tem sido atacar Maduro sem falar mal de Chávez – um tiro que poderia sair pela culatra –, tem repetido que "o problema é você, Nicolás".

AP
Fogos de artifício marcam discurso de Henrique Capriles a partidários em atividade campanha em Maracaibo, Venezuela

Já Maduro procurou manter rigorosamente a sua proximidade política com Chávez, referindo-se a Capriles como o "burguesinho" e "candidato da oligarquia". Mas algumas vezes cruzou a linha da controvérsia, quando apareceu em público com a esposa e fez uma referência à solteirice de Capriles, 40 anos. A declaração foi interpretada como homofóbica.

Desequilíbrio

A polarização também se traduz na imprensa e na mídia venezuelanas. Nos dois mais influentes jornais venezuelanos – o El Universal e o El Nacional – nem um só artigo de opinião favorável ao governo foi publicado nas edições desta quinta-feira.

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Em contrapartida, a quatro dias da votação, as TVs oficiais são acusadas de outorgar ao candidato chavista mais – e melhor – exposição que a de Capriles. A organização Monitoreo Ciudadano estimou que, dos quatro dias de cobertura entre 2 e 5 de abril, quase um inteiro (22h33) foi material em favor de Maduro.

A discrepância levou a oposição a incluir, nas suas dez principais plataformas de campanha, um item defendendo "meios de comunicação para todos".

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A oposição acusa o oficialismo de utilizar todos os meios disponíveis para se perpetuar no poder, incluindo o uso aberto de recursos estatais, como o Conselho Nacional Eleitoral, o órgão que organiza o pleito.

Tanto é que a coalizão de oposição, Mesa Unidad Democratica, se recusou a assinar um compromisso junto às autoridades eleitorais de que respeitará o resultado das eleições de domingo.

Sugerindo que as autoridades oficiais querem apenas encenar o jogo democrático, a campanha de Capriles publicou na quarta-feira nos jornais um anúncio no qual se compromete a respeitar a Constituição e a vontade do povo venezuelano. Para os chavistas, Capriles é quem faz jogo, ao criticar o mesmo sistema eleitoral pelo qual foi eleito governador do Estado de Miranda.

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