ONG denuncia estupros em campos de ajuda na Somália

Por BBC Brasil |

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De acordo com relatório da Human Rights Watch, abusos são cometidos por membros de grupos armados e integrantes das forças de segurança do próprio governo somali

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Mulheres que vivem em campos de assistência humanitária para desalojados internos pela guerra na Somália têm sido vítimas de abusos sexuais, incluindo estupro e outros tipos de violência, segundo a ONG de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch.

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AP
Mulher carrega criança e lata de óleo que recebeu em centro de distribuição de comida em Mogadíscio, na Somália (19/01/2012)

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A ONG afirma que as mulheres que deixaram suas casas no interior do país fugindo da violência do conflito armado entre tropas do governo e grupos rebeldes têm sido vítimas de estupros coletivos em acampamentos de ajuda na capital, Mogadíscio.

De acordo com um relatório divulgado pela organização, os abusos têm sido praticados por membros de grupos armados, incluindo aparentemente integrantes das forças de segurança do próprio governo somali.

O relatório cita dados da ONU que indicam que mais de 800 estupros foram registrados entre setembro e novembro de 2012 em campos de ajuda humanitária de Mogadíscio e cidades satélites.

'Negócio lucrativo'

O relatório, intitulado Hostages of the Gatekeepers ("Reféns dos Guardas", em tradução livre), investigou a situação em que se encontram os que fogem do interior do país desde 2011 e são alojados nos campos de ajuda humanitária mantidos ao redor da capital somali.

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O documento destaca que administradores desses campos - normalmente aliados a milícias - desviam comida, medicamentos e outros recursos. Segundo a ONG, a administração desses campos se tornou um negócio tão lucrativo que os funcionários impedem as pessoas de deixar o local para poder explorá-las.

"Os próprios funcionários que controlam a entrada e saída desses campos são responsáveis por abusos cometidos", diz o diretor da sessão britânica da Human Rights Watch, David Mephan. "Nossas investigações indicaram que as pessoas têm sido mantidas como prisioneiras nesses campos de ajuda a desalojados. Elas não têm permissão de sair e são submetidas a abusos pelos próprios funcionários."

Algumas das violações mais graves de direitos humanos são praticadas contra mulheres e meninas que alegam ser sistematicamente estupradas. Muitos casos acabam não sendo denunciados pelo medo das mulheres de serem punidas e estigmatizadas por terem mantido relação sexual com um estranho, mesmo sob coerção.

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A analista da BBC para a África, Mary Harper, diz que a recente prisão de uma mulher (que já foi solta) após fazer uma denúncia de estupro aumenta ainda mais o temor das vítimas.

Outro lado

Em setembro, um novo governo tomou posse no país, com apoio da ONU, com a esperança de botar fim a mais de 20 anos de conflito civil. A Human Rights Watch acusa o novo governo de não ter cumprido as promessas feitas de acabar com os abusos.

Falando à BBC, o diretor da Agência Nacional de Gerenciamento de Desastres da Somália, Adbullahi Jimale, admitiu que esses crimes ocorreram. No entanto, ele salientou que o governo não poderia acabar com o problema em apenas um dia.

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