Caso de mãe que congelou bebês choca França

Por BBC Brasil | - Atualizada às

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Garçonete de 32 anos confessou ter matado bebês por afogamento logo após nascimento. Em 2005, ela havia sido condenada por outro infanticídio, mas foi solta em 2010

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AFP
Casa onde corpos de bebês congelados foram encontrados é isolada pela polícia no leste da França

A descoberta de dois bebês congelados na casa de uma francesa que já foi condenada por infanticídio chocou a França e tem grande repercussão no país. A mãe das vítimas é uma garçonete de 32 anos que não terá o nome revelado. Ela confessou ter matado os bebês por afogamento logo após os nascimentos, que teriam acontecido em 2011 e 2012, segundo o procurador de Bourg-en-Bresse, Denis Mondon.

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A mulher já havia sido condenada a 15 anos de prisão em 2005 pelo assassinato de outro bebê recém-nascido, em 2002. Detida no mesmo ano após a descoberta do crime, ela permaneceu presa até dezembro de 2010. A mulher obteve liberdade condicional depois de cumprir pouco mais da metade da pena.

O procurador informou que averiguará as razões que permitiram a liberação antecipada da mulher. "O Ministério Público considera que existem circunstâncias agravantes porque essa pessoa é reincidente", disse Mondon. Ela pode ser condenada à prisão perpétua em razão das circunstâncias agravantes.

A mãe dos bebês está detida desde domingo, quando os corpos dos bebês foram descobertos em sua casa, no vilarejo de Ambérieu-en-Bugey, no leste do país. Foi o namorado da suspeita quem encontrou um dos corpos no congelador da casa e alertou imediatamente a polícia.

Após buscas no local, os investigadores encontraram um segundo corpo, também congelado. Segundo o procurador, apenas as autópsias dos dois corpos, que seriam de dois meninos, permitirão verificar se as declarações feitas pela mãe são verdadeiras.

"No momento, as hipóteses se baseiam apenas em suas declarações. As autópsias permitirão verificar se os bebês estavam vivos no momento do nascimento e se realmente morreram afogados", afirmou Mondon. "Um infanticídio é algo muito complexo, e é possível que a acusada não faça um relato exato da realidade", disse o procurador.

No infanticídio cometido em 2002, a acusada escondeu sua gravidez, deu à luz em um banheiro e depois afogou o bebê, segundo a Justiça. Após o crime, ela colocou o corpo em um saco e pediu à avó da criança para abandoná-la em uma casa em ruínas. A avó foi condenada a 18 anos de prisão.

Problemas psicológicos

Especialistas afirmam que os crimes de infanticídio normalmente não são atos premeditados e estão ligados a problemas psicológicos da mãe. "Essas mulheres, de qualquer meio social, sentem-se sem apoio, isoladas e sofrem uma grande miséria afetiva, mesmo as casadas. A gravidez não é desejada, e elas não criam laços afetivos com a criança", afirmou o psiquiatra Gérard Lopez, especialista junto à Corte de Recursos de Paris.

"O perfil dessas mulheres é normalmente o mesmo. Elas são frágeis, ansiosas e imaturas. Escondem uma grande pobreza afetiva e têm baixa autoestima", disse a psicóloga Alexandra Moins, autora de um estudo sobre diferentes tipos de infanticídios.

Diversos casos

Crimes de infanticídio de recém-nascidos são revelados com certa frequência na França. Segundo a imprensa, há pelo menos um caso por ano desde 2006. Um dos mais famosos é o de Dominique Cotrez, que confessou, em 2010, ter matado oito recém-nascidos. Ela ainda não foi julgada.

Outro caso famoso é o de Véronique Courjault, presa em 2006 por ter matado três recém-nascidos. Os corpos congelados de dois deles haviam sido encontrados por seu marido em Seul, na Coreia do Sul, onde o casal residia. Ela confessou ter matado outro bebê em 1999, na França. Courjault foi condenada em 2009 a apenas oito anos de prisão, mas foi liberada no ano seguinte.

No ano passado, três outros infanticídios foram revelados. O primeiro, em janeiro, foi o de um bebê de menos de três semanas. Em novembro, um bebê de três meses e sua irmã de 5 anos foram encontrados mortos em uma geladeira e em um congelador. Nesse caso, o pai, tunisiano, estava foragido.

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