Irmão diz sentir alívio por Dom Odilo não ser o novo papa

Por BBC Brasil | - Atualizada às

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Flávio Scherer diz que os 115 cardeais fizeram boa escolha ao eleger o cardeal argentino Jorge Bergogliorivalidade entre Argentina e Brasil pertence aos gramados

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O professor universitário aposentado Flávio Scherer, 67 anos, irmão de Dom Odilo Scherer - cardeal brasileiro até então apontado como um dos mais fortes candidatos à sucessão de Bento 16 - afirmou estar "aliviado" ao assistir pela TV que seu irmão, atual arcebispo de São Paulo, não havia sido eleito o novo pontífice.

"Não estou decepcionado. Pelo contrário, se eleito, a pressão sobre meu irmão seria iminente. A Igreja Católica precisa o mais rápido possível agir para conter a perda de fieis", disse.

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AP
Flávio Scherer, irmão de Dom Odilo, e sua esposa Terezina, reagem após a chaminé da Capela Sistina ter emitido fumaça branca (13/03)

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Na tarde desta quarta-feira, a fumaça branca que emergiu da Capela Sistina indicou que os 115 cardeais do mundo todo confinados no local haviam escolhido um novo papa. Cerca de uma hora depois, o argentino Jorge Mario Bergoglio, que escolheu ser chamado de Francisco, saudou os fiéis da sacada do Palácio do Vaticano.

Na casa de Flávio, em Toledo, no oeste do Paraná, onde o arcebispo de São Paulo passou a maior parte de sua vida, a apreensão era grande momentos antes de o nome do argentino ser revelado.

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Ao lado do padre Inácio Scherer, pároco da catedral da cidade e primo de Odilo - e cercado por jornalistas do mundo inteiro - Flávio não desgrudava os olhos da TV à espera do anúncio. Bem-humorado, ele brincou com a nacionalidade do novo pontífice, relembrando a rivalidade histórica entre Argentina e Brasil no futebol. No entanto, descreveu como "acertada" a escolha.

"Brasil e Argentina, apesar de serem adversários nos gramados, têm muitas semelhanças, inclusive um passado negro de ditaduras", acrescentou.

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Reuters
O cardeal de São Paulo dom Odilo Scherer durante missa realizada em Roma (foto de arquivo)

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Mais cedo, em entrevista à BBC Brasil, Flávio já havia criticado o "eurocentrismo" do Vaticano, razão pela qual, segundo ele, a Igreja Católica vinha perdendo fiéis. "A Europa tem aberto mão de seus valores mais caros. O Islamismo cresce e ninguém faz nada", afirmou no início da tarde desta quarta-feira.

Para Flávio, a escolha de um papa latino-americano, o primeiro da história, poderá dar um "sopro de vida" à Igreja. Ela representaria o fim do que chamou de visão "eurocêntrica" da Igreja Católica.

Assédio da imprensa

Há poucos dias, à medida que a candidatura de Odilo ganhava força como possível sucessor de Bento 16, Flávio, escolhido "porta-voz" dos Scherer, viu sua rotina mudar completamente na pacata rua onde mora, em Toledo, no oeste do Paraná.

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Sua casa transformou-se em uma espécie de centro de mídia, com inúmeros jornalistas locais e internacionais interessados nos hábitos e na trajetória de vida do arcebispo de São Paulo. Nos últimos dias, o nome de Odilo Scherer vinha crescendo nas bolsas de apostas como o mais provável sucessor do agora papa emérito Bento 16, que renunciou em 28 de fevereiro deste ano.

Filho de imigrantes alemães, o cardeal, um dos cinco brasileiros que participaram do conclave para a escolha do sucessor do agora papa emérito Bento 16, nasceu no Rio Grande do Sul, mas mudou-se aos dois anos para os arredores de Toledo, no oeste do Paraná.

No local, a família dedicou-se à agricultura. Até hoje, vários integrantes do clã moram nas redondezas. Segundo estima a filha de Flávio, Ana, que vinha ajudando a administrar o contato com os repórteres, seu pai deu entrevistas a pelo menos 30 veículos de comunicação diferentes desde o início do conclave.

Apreensão

Mais cedo, Flávio havia relatado estar "apreensivo" com o resultado do conclave. Entretanto, já se dizia cético com a escolha de seu irmão como próximo papa. "Apesar de não acreditar na escolha de Odilo como papa, só consigo desanuviar dando entrevista para a imprensa".

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Foto fornecida pelo jornal do Vaticano L'Osservatore Romano mostra papa Francisco celebrando missa com cardeais na Capela Sistina (14/03). Foto: APPor telão na Praça de São Pedro, pessoas acompanham missa inaugural do papa Francisco com cardeais na Capela Sistina, no Vaticano (14/03). Foto: APRecém-eleito papa, Francisco celebra missa com cardeais na Capela Sistina (14/03). Foto: ReutersPapa Francisco celebra sua missa inaugural com os cardeais dentro da Capela Sistina, no Vaticano (14/03). Foto: APBatina do papa recém-eleito Francisco voa com o vento na porta da Basílica de Santa Maria Maior, em Roma (14/03). Foto: ReutersPapa Francisco deposita flores no altar dentro da Basílica de Santa Maria Marior, em Roma (14/03). Foto: APPapa Francisco fala aos fiéis no Vaticano. Ele foi eleito no segundo dia de conclave (13/03). Foto: APFiéis tentam registrar com tablets e celulares o anúncio do novo papa, no Vaticano (13/03). Foto: APFiéis acompanham a primeira benção do papa Francisco 1º (13/03). Foto: ReutersFrancisco 1º é o nome pelo novo papa, o cardeal Jorge Bergoglio, da Argentina. Foto: APProtodiácono francês Jean-Louis Pierre Tauran anuncia identidade do novo papa: cardeal Jorge Bergoglio, da Argentina (13/03/2013). Foto: APCardeal francês Jean-Louis Tauran aparece na janela e diz "Habemus Papam", que significa 'Temos Papa' em latim (13/03). Foto: ReutersFiéis comemoram escolha do novo papa após badalar dos sinos na Praça de São Pedro, no Vaticano (13/03). Foto: ReutersFiéis comemoram escolha do novo papa após badalar dos sinos na Praça de São Pedro, no Vaticano (13/03/2013). Foto: ReutersFiéis aguardam com ansiedade pelo anúncio do nome do novo papa da Igreja Católica na Praça de São Pedro, Vaticano (13/03/2013). Foto: APMultidão celebra após chaminé da Capela Sistina expelir fumaça branca na Praça de São Pedro, no Vaticano (13/03/2013). Foto: APMultidão de fiéis vê fumaça branca saindo da chaminé da Capela Sistina na Praça de São Pedro no Vaticano (13/03/2013). Foto: APFumaça branca sai da chaminé da Capela Sistina, indicando que um novo papa foi eleito (13/03/2013). Foto: APMulher segura terço enquanto espera votação de novo papa no segundo dia do conclave no Vaticano (13/03). Foto: APFumaça preta emerge da chaminé da Capela Sistina na manhã desta quarta-feira no Vaticano. Foto: APVisitantes se reúnem na Praça de São Pedro enquanto os cardeais se reúnem em conclave papal no Vaticano (13/03). Foto: APVisitantes esperam que fumaça saia pela chaminé da Capela Sistina na Praça de São Pedro (13/03). Foto: APHomem descalço ajoelha em prece na Praça de São Pedro durante conclave dos cardeais (13/03). Foto: APFreiras caminham pelas Colunas Bernini na Praça de São Pedro no segundo dia do conclave (13/03). Foto: APPeregrinos carregam cruz através da Praça de São Pedro enquanto cardeais se reúnem em conclave na Capela Sistina (13/03). Foto: APSob chuva, mulher reza na Praça São Pedro, no Vaticano (13/03). Foto: APFumaça preta sai da chaminé na Capela Sistina na Praça São Pedro, Vaticano nesta terça-feira (12/03). Foto: APFeminista é detida por policiais após protestar contra o papa na Praça São Pedro durante o conclave (12/03). Foto: APFiéis aguardam na Praça São Pedro a fumaça saída da chaminé da Capela Sistina (12/03). Foto: APHomem vestido de monge ajoelha na Praça São Pedro enquanto o conclave se inicia na Capela Sistina (12/03). Foto: ReutersPessoas assistem ao início do conclave pelos telões espalhados na Praça São Pedro, no Vaticano (12/03). Foto: APFreira assiste à missa celebrada por Angelo Sodano em telão na Praça São Pedro, no Vaticano (12/03). Foto: APFreiras se reúnem para a eleição do novo papa ao lado de fora da Basílica de São Pedro, no Vaticano (12/03). Foto: APFiéis assistem à missa na Basílica de São Pedro por meio de telões na Praça São Pedro, no Vaticano (12/03). Foto: APCardeal participa da missa que celebra eleição do papa realizada por Angelo Sodano na Capela Sistina, no Vaticano (12/03). Foto: APCardeal brasileiro Dom Odilo Scherer deixa a Basílica de São Pedro após realização de missa (12/03). Foto: ReutersCardeal Peter Turkson, de Gana, participa da missa que abre os trabalhos do conclave na Basílica de São Pedro, no Vaticano (12/03). Foto: ReutersCardeal decano Angelo Sodano celebra missa na Basílica de São Pedro, no Vaticano, antes do início do conclave (12/03). Foto: Reuters

"Até brincamos que se ele fosse escolhido, sairia fumaça com cheiro de churrasco, porque somos gaúchos", disse.  "Ou, sendo branca, poderia ser também de grimpa do pinheiro de Paraná", brincou.

Ele também assegurou ter certeza de que, tendo sido escolhido o novo papa, Dom Odilo continuará "atuante" com seu trabalho em São Paulo. "O fato dele ter sido apontado como provável sucessor de Bento 16 não lhe subiu a cabeça. Ele voltará ao seu trabalho na arquidiocese como ele sempre fez", afirmou.

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