Venezuela diz que evolução do estado de Chávez 'não tem sido favorável'

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Governo afirma que tratamento não tem apresentado efeitos significativos; com o retorno de Chávez ao país, oposição pressiona por juramento do novo mandato

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A infecção respiratória com a qual o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, tem batalhado desde que foi operado há mais de dois meses para combater um câncer persiste, de acordo com um comunicado emitido pelo governo na noite desta quinta-feira (21). O anúncio indica uma possível piora no estado de saúde do presidente.

"A insuficiência respiratória persiste e sua tendência não tem sido favorável, razão pela qual continua sendo tratada", afirmou o ministro de Comunicação venezuelano, Ernesto Villegas, ao ler o comunicado.

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Divulgação
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Ainda de acordo com o governo, o tratamento que Chávez vem recebendo para combater o câncer não tem apresentado "efeitos adversos significativos", afirmou Villegas. Caracas não divulga detalhes do tratamento do presidente, mas especialistas dizem que os remédios contra o câncer diminuem as defesas de seu organismo

A informação rompe três dias de silêncio e tensão em torno à saúde presidencial. Desde que o presidente retornou de surpresa de Cuba para Caracas na segunda, nenhuma informação oficial relacionada com a saúde do mandatário havia sido divulgada.

Para analistas, a involução do tratamento para combater a infecção respiratória pode indicar que o retorno de Chávez à Venezuela ocorreu devido a necessidade do mandatário minimizar a pressão política em torno de sua prolongada ausência e não porque haveria uma significativa melhora em seu estado de saúde.

O hermetismo com que tem sido tratada a informação sobre a saúde presidencial, tem dificultado inclusive a visita de aliados, como o presidente da Bolívia, Evo Morales, que esteve em Caracas na quarta-feira, mas não pode ver a Chávez.

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"Lamento muito, mas ontem tentei visitá-lo, falei com os médicos, mas (Chávez) está de repouso, ainda está em tratamento", disse Morales, durante entrevista em Nova York. O mistério que envolve a saúde do presidente venezuelano também favorece a construção do mito, na opinião de analistas.

Em entrevista a uma rede de TV local, uma enfermeira afirmou que o presidente venezuelano entrou caminhando no Hospital Militar de Caracas. O governo não confirma nem desmente a informação. Essa seria a única testemunha que teria certificado a entrada do presidente no hospital. Até agora, nenhuma nova imagem do líder venezuelano foi divulgada.

Chávez surpreendeu a todos na madrugada da segunda-feira, ao comunicar, via Twitter que estava de volta ao país - após 68 dias de convalescença em Cuba. Do aeroporto, ele foi levado imediatamente ao Hospital Militar de Caracas, onde permanece internado.

Desde sua volta, diversas manifestações de solidariedade ao líder venezuelano estão sendo realizadas em diferentes pontos do país. O concentração de centenas de pessoas em frente ao Hospital diminuiu drasticamente em relação a segunda-feira.

Oposição

Com o retorno do presidente, a oposição venezuelana pressiona para acelerar o juramento de Chávez perante o Tribunal Supremo de Justiça para "formalizar" o início de seu novo mandato presidencial, para o qual foi eleito em outubro.

O governo, por outro lado, tem dado sinais que a prioridade agora é a recuperação da saúde do presidente. O vice-presidente Nicolás Maduro está à frente da Presidência como "administrador", enquanto Chávez se recupera.

Em janeiro, a Suprema Corte decidiu prorrogar indefinidamente a posse de Chávez, marcada para 10 de janeiro, à espera de sua recuperação. Na ocasião, a Justiça considerou que há uma "continuidade" do governo, razão pela qual, o juramento se convertera em mera formalidade.

A oposição, entretanto, afirmava que o líder da Assembleia, Diosdado Cabello, deveria assumir o poder interinamente até o regresso de Chávez ou que novas eleições fossem convocadas.

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