França retira refeições com carne de cavalo de prateleiras

Por BBC |

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Produtos prontos de uma marca sueca eram vendidos como contendo carne bovina, mas teste mostrou diferença

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Seis redes de supermercados francesas retiraram refeições congeladas de carne feitas pelas empresas Findus e Comigel depois de descobrir que alguns dos pratos de carne bovina vendidos na Europa e na Grã-Bretanha continham, na verdade, carne de cavalo. A França está investigando se as empresas tinham conhecimento da presença de carne de cavalo em seus produtos.

A gigante de alimentos sueca Findus diz ter sido enganada por seu fornecedor de carne romeno. A Romênia abriu uma investigação sobre seus abatedouros em resposta às acusações. Autoridades afirmam que tomarão medidas punitivas se for descoberto que leis foram desrespeitadas.

A Findus retirou suas refeições, pré-prontas da França e da Suécia na sexta-feira passada, depois da descoberta de que a lasanha de carne bovina vendida na Grã-Bretanha continha até 100% de carne de cavalo. Os produtos da Findus eram preparados pela fabricante de alimentos francesa Comigel com carne da Spanghero, uma empresa de processamento de carne também baseada na França.

A Spanghero, por sua vez, obtinha a carne de um fornecedor romeno. A cadeia de supermercados francesa diz que decidiu recolher os produtos da Findus e da Comigel por preocupações a respeito de um "não cumprimento das requisitos da embalagem em relação à natureza da carne". Os produtos retirados incluem refeições de macarrão com molho de carne, shepherd's pie (torna de carne moída e purê de batatas) e moussaka, prato grego também com carne moída.

Os supermercados franceses que retiraram os produtos incluem Carrefour, Monoprix, Auchan, Casino, Cora e Picard. A associação de lojas de varejistas franceses FCD disse em um comunicado que autoridades nacionais garantiram que os produtos não oferecem riscos à saúde.

"Os varejistas estão acompanhando as investigações feitas pelos fornecedores com atenção e esperando pelos resultados dos inquéritos", afirmou. O inquérito francês quer determinar quem forneceu a carne de cavalo e se as empresas sabiam sobre a contaminação. Há indícios de que a carne estivesse sendo usada nas refeições desde agosto.

'Enganados'

Em resposta ao escândalo, o diretor da Findus na França, Matthieu Lambeaux, disse em um comunicado que a empresa faria oficialmente uma queixa à sua fornecedora. "Achávamos que tinhamos carne francesa certificada em nossos produtos. Mas na realidade, nos forneceram carne de cavalo romena. Fomos enganados", disse.

A empresa Spanghero também ameaçou processar sua fornecedora romena. A associação da indústria alimentícia da Romênia, por sua vez, rejeitou as acusações. "Acho difícil acreditar que um abatedouro romeno pode ter entregue carne de cavalo com identificação de carne bovina", disse o diretor da associação, Dragos Frumoso, à agência de notícias AFP. "Se (o importador) não protestou quando recebeu a carne, ou foi cúmplice do produtor romeno ou mudou a etiqueta depois."

O correspondente da BBC em Paris, Hugh Schofield, diz que o escândalo pôs em evidência a complexidade do negócio de alimentos na União Europeia hoje. A marca sueca Findus, que fornecia produtos para supermercados ingleses, empregou a empresa francesa Comigel para fazer suas refeições pré-prontas. Para conseguir carne para sua fábrica em Luxemburgo, a Comigel contratou os serviços da também francesa Spanghero. Essa empresa, por sua vez, usava um agente no Chipre, que por sua vez usava um agente na Holanda, que fazia os pedidos a um abatedouro na Romênia.

De acordo com Schofield, essa cadeia de empresas está sendo investigada pelo departamento anti-fraude da França, que pretende descobrir como tanta carne de cavalo mascarada como bife bovino entruo na cadeia de produção.

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