França derruba lei que proibia mulheres de usar calças

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Instaurada em 1800, legislação exigia que mulheres que quisessem se vestir 'como os homens' pedissem permissão para a polícia

AP
Modelos vestem calças do estilista francês Alexandre Vauthier durante desfile em Paris

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Foi derrubada nesta segunda-feira uma lei criada há dois séculos que proibia as mulheres na França de usarem calça. A ministra francesa dos Direitos da Mulher, Najat Vallaud-Belkacem, disse que a lei foi cassada porque não estava linhada com os valores atuais do país.

Instaurada em 1800, logo após a Revolução Francesa, a lei exigia que mulheres que quisessem se vestir como homens pedissem permissão para a polícia.

NYT: Cidade da Califórnia quer proibir venda de roupas de pele

Na virada do século 20, foi adotada uma emenda na lei, permitindo que as mulheres usassem calças, mas apenas diante de duas situações: "se estiverem segurando um guidão de uma bicicleta ou as rédeas de um cavalo".

As mulheres parisienses lutavam pelo direito de usar calças desde a Revolução, quando os trabalhadores passaram a usar calças compridas de algodão, em vez dos culotes de seda - calça larga na parte de cima e justa a partir do joelho -, como fazia a aristocracia.

Vestuário polêmico

O vestuário feminino continua a despertar paixões políticas na França. Em maio, a ministra da Habitação, Cécile Duflot, foi criticada por usar uma calça jeans durante o primeiro encontro do gabinete do presidente François Hollande.

Alguns meses depois, antes de começar um discurso na Assembleia Nacional, ela foi alvo de assobios e gracinhas por parte de muitos políticos por estar usando um vestido floral.

"Já trabalhei em canteiro de obras e nunca vi nada assim", disse Cécile. "Isso diz muito sobre alguns dos parlamentares. Eu fico pensando nas mulheres deles..."

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