Mãe de decapitada diz perdoar sauditas que rejeitaram retirar sentença de morte

Por BBC Brasil |

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Empregada doméstica do Sri Lanka foi executada sob acusação de ter matado bebê em 2005; governo saudita negou-se a mudar sentença alegando oposição de pais da criança

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A mãe de uma empregada doméstica do Sri Lanka decapitada na Arábia Saudita perdoou aqueles que, segundo ela, queriam que a filha fosse executada. Segundo Rafeena Nafeek, a filha Rizana era inocente e foi injustamente condenada sob acusação de matar um bebê em 2005.

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Reuters
Protesto contra execução de Rizana Nafeek, do Sri Lanka, na Arábia Saudita. Ela foi acusada de matar bebê (foto de arquivo)

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Rizana ficou presa oito anos e, apesar dos apelos de grupos de defesa dos direitos humanos, o governo saudita negou-se a mudar sua pena alegando que os pais do bebê se opunham a isso. Os registros mostram que Rizana tinha apenas 17 anos quando o bebê morreu, o que faria de sua condenação à morte uma violação dos direitos internacionais da criança.

Seus pais, que vivem em uma casa humilde no leste do Sri Lanka, chegaram à Arábia Saudita duas semanas depois de ela ser executada. Chorando, Rafeena disse ter perdoado os pais do bebê, que insistiram na decapitação de sua filha.

"Não adianta culpar ninguém - Rizana foi embora", disse à BBC. "Só soubemos da execução dela pela mídia. Eles (as autoridades sauditas) deviam pelo menos ter nos informado. Até nosso pedido para levar seu corpo para o Sri Lanka foi negado."

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Problema social

Antes de morrer, Rizana teria pedido que os pais se empenhassem pela educação de seus irmãos mais novos. Rafeena aconselhou outras famílias pobres a não enviar suas filhas para trabalhar como domésticas na Arábia Saudita ou qualquer outro lugar.

Nesta semana, duas adolescentes do Sri Lanka foram apreendidas tentando entrar no país vizinho, que é criticado por ONGs por suas condenações à morte e leis duras restringindo direitos femininos.

Segundo Charles Haviland, correspondente da BBC em Colombo, capital do Sri Lanka, aparentemente o passaporte de Rizana foi falsificado quando ela foi para a Arábia Saudita, indicando que ela teria 23 anos em vez de 17.

O bebê saudita morreu quando estava sob cuidados da jovem, no que Rizana dizia ter sido um acidente. O entendimento dos tribunais sauditas, porém, foi que a criança foi estrangulada.

Alguns grupos de defesa dos direitos humanos denunciam que o julgamento não foi justo porque Rizana não teve direito nem a um tradutor nem a um advogado. Nafeek rejeitou uma oferta de indenização da Arábia Saudita, alegando que não poderia aceitar nada "do país que matou Rizana". Na terça-feira, o presidente do Sri Lanka entregou à família US$ 7,8 mil (R$ 25.150).

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