Intervenção no Mali não pode reavivar 'tentações coloniais', diz Dilma

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Durante encontro com o presidente da Comissão Europeia e do Conselho Europeu, presidenta disse que crise no país africano é reflexo da guerra recente na Líbia

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Agência Brasil
Dilma se encontrou com o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso e o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, na quinta (24/1)

Após reunir-se nesta quinta-feira (24) com representantes da União Europeia em Brasília, a presidente Dilma Rousseff afirmou que a intervenção militar francesa no Mali não pode "reavivar antigas tentações coloniais" e defendeu que órgãos internacionais tenham maior peso na solução do conflito.

"O combate ao terrorismo no Mali não pode violar direitos humanos nem reavivar nenhuma das tentações, inclusive as antigas tentações coloniais", afirmou a presidente, após encontro com o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, e o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy.

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Na semana passada, a França, que até 1960 foi a potência colonial do Mali, iniciou uma intervenção militar no país africano. O objetivo declarado das autoridades francesas é combater grupos rebeldes islâmicos que vinham assumindo crescente controle no norte do país.

A intervenção francesa se ampara em pedido do governo malinês e em resolução do Conselho de Segurança da ONU aprovada em janeiro, que previa o envio de forças estrangeiras ao país para frear o avanço dos grupos rebeldes.

Líbia
Segundo Dilma, o conflito no Mali é um desdobramento da recente guerra na Líbia.

"É muito preocupante a situação de conflito armado no Mali, decorrente e como consequência de todo o conflito que ocorreu na Líbia e que desbordou devido ao acesso a meios armados que foram apropriados por grupos que agora criam instabilidade não só no Mali, mas em toda a região."

Há relatos de que armas enviadas por potências militares ocidentais, entre as quais a França, para os grupos que combatiam o regime de Muamar Kadafi na Líbia tenham ido parar nas mãos de rebeldes que agora atuam no Mali.

Em sabatina no Senado americano nesta quarta-feira, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton (que deve ser substituída nas próximas semanas por John Kerry), afirmou que armas provenientes da Líbia estão sendo usadas no Mali, mas que a "a vasta maioria delas veio dos arsenais de Khadafi" e não do Ocidente.

Em discurso após a fala de Dilma em Brasília, o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, defendeu a intervenção no Mali como forma de frear "atos perpetrados por grupos terroristas, que estão colocando em risco a integridade territorial do país bem como a segurança da população".

"A decisão da União Europeia de estabelecer uma missão para assessorar o Exército do Mali, bem como nosso apoio à missão encabeçada pelos militares no Mali e a pronta resposta da França e outros países europeus, é parte integral desses esforços".

Cúpula
A visita de Barroso e Rompuy a Brasília ocorre às vésperas de uma cúpula entre a UE e a Celac (Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos), no Chile, neste fim de semana.

Durante a cúpula, representantes europeus deverão ter reunião paralela com membros do Mercosul, para discutir a associação entre os dois blocos.

Terceiro a discursar, Barroso disse que no encontro com Dilma foi reafirmado o empenho para que o acordo de associação saia do papel. Segundo ele, trata-se de um acordo "abrangente, arrojado e ambicioso".

Ele afirmou que, apesar das dificuldades vivenciadas pela economia europeia nos últimos anos, a UE continua a ser "o maior bloco comercial e o maior mercado interno em termos de valor do mundo".

"Não obstante a crise internacional, nossas relações com o Brasil não param de crescer", disse Barrroso. Segundo ele, as trocas comerciais entre Brasil e UE cresceram 17% em 2011.

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