Carta de cega a Putin amplia polêmica sobre adoções na Rússia; assista

Por BBC Brasil |

compartilhe

Tamanho do texto

Para Natasha Pisarenko, lei que proíbe adoções por americanos não dá chance de vida melhor para deficientes que sofrem com falta de tratamentos médicos modernos no país

BBC

BBC

Uma adolescente cega ganhou expressão política na Rússia e aumentou o debate em torno da lei que proíbe americanos de adotarem crianças russas. A estudante Natasha Pisarenko publicou em seu blog uma carta aberta ao presidente russo, Vladimir Putin, criticando a polêmica lei, assinada por Putin em dezembro.

Protesto: Russos vão às ruas protestar contra a lei que proíbe adoção por americanos

Dezembro: Parlamento russo aprova proibição de adoção de crianças por americanos

Na carta, que ganhou ampla repercussão, Natasha afirmou que órfãos russos portadores de deficiência estão morrendo, pois não há tratamentos médicos modernos disponíveis no país. Segundo a adolescente, russos não querem adotar essas crianças, e a lei sancionada por Putin impede que os órfãos tenham a chance de uma vida melhor sob a guarda de pais adotivos nos EUA.

Caso Magnitsky

O veto a adoções é uma reação a um projeto de lei aprovado pelo Congresso dos EUA que impõe sanções a autoridades russas acusadas de desrespeito aos direitos humanos. As sanções americanas a autoridades russas foram adotadas após a morte do advogado anticorrupção Sergei Magnitsky, que provocou uma cisão nas relações entre EUA e Rússia.

Assista ao vídeo:

Magnitsky dizia ter descoberto uma rede de corrupção envolvendo autoridades fiscais russas e o roubo de US$ 200 milhões (cerca de R$ 409,5 milhões). Um relatório oficial divulgado pela Rússia deu conta de que Magnitsky teria sido torturado e algemado na prisão russa em que foi detido. Mas a única pessoa a ser julgada no episódio foi o médico da prisão, acusado de negligência após a morte de Magnitsky, em 2009. Ele acabou sendo inocentado por uma corte em Moscou.

NYT: Em busca de coesão, presidente russo apela ao patriotismo

Dissenso punido: Parlamento russo aprova projeto de lei que prevê multas a manifestantes

Magnitsky representava o fundo de capitais Hermital, presidido pelo americano Bill Browder. Este comandou os esforços para que os EUA pressionassem autoridades russas por meio das sanções agora em vigor.

Protestos

No domingo, dezenas de milhares de manifestantes de oposição participaram de um protesto contra Putin em Moscou. E a nova lei também já mobilizou um outro movimento político do país, o Comitê de Iniciativas Cívicas, do qual participa o ex-ministro da Economia Alexei Kudrin.

O grupo publicou uma declaração de repúdio na véspera da assinatura da lei antiadoção pelo presidente e chegou a pedir a Putin que não a sancionasse. Já defensores da lei argumentam que ela é uma reação a recentes denúncias de abusos sofridos por crianças russas por parte de seus pais adotivos americanos.

Medida: Câmara russa aprova projeto de lei que classifica ONGs de 'agentes estrangeiros'

Leia também: Putin expulsa entidade americana da Rússia e alega 'ataque à soberania'

O governo russo, por sua vez, prometeu melhorar as condições em orfanatos, e o primeiro-ministro Dmitri Medvedev visitou uma dessas instituições, conversou com órfãos e responsáveis. Nos últimos 20 anos, americanos adotaram dezenas de milhares de crianças russas. E, para os críticos do governo, entre eles Natasha Pisarenko, a nova lei acaba com as oportunidades para as crianças órfãs.

A adolescente é cega desde o nascimento e afirma que sofreu na pele a falta de recursos médicos da Rússia. Segundo Natasha, seu pai já tinha notado sua cegueira dias depois de seu nascimento. No entanto, os médicos demoraram meses para dar um diagnóstico, o que dificultou seu tratamento.

Leia tudo sobre: rússiaputineuaadoçãonatasha pisarenko

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas