Promotor de Teerã acha pouco provável que dissidente tenha morrido por causas naturais; blogueiro foi preso em outubro acusado de agir contra a segurança nacional

BBC

Imagem mostra blogueiro dissidente supostamente morto pela polícia do Irã
Reprodução
Imagem mostra blogueiro dissidente supostamente morto pela polícia do Irã

Uma investigação das autoridades do Irã concluiu que o blogueiro dissidente Sattar Beheshti pode ter morrido em consequência de uma força bruta enquanto estava na prisão, e não de causas naturais ou alguma doença, como as autoridades alegavam anteriormente.

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Beheshti foi preso em 30 de outubro sob acusações de ter agido contra a segurança nacional ao postar mensagens contra o governo em blogs e redes sociais. Ele foi entregue para investigadores da polícia para um interrogatório e, uma semana depois, estava morto.

As circunstâncias exatas da morte ainda não foram esclarecidas, e algumas informações sugerem que ele foi torturado. O Parlamento iraniano criou uma comissão para investigar a morte de Beheshti.

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A declaração do promotor de Teerã, divulgada nesta sexta-feira, afirma que a principal causa da morte do blogueiro pode ter sido uma pancada física, causado por força bruta aplicada contra partes sensíveis do tronco de Beheshti, ou pressão psicológica.

"Não é possível determinar a causa exata da morte. Mas a causa mais provável que levou à morte pode ser uma pancada", afirma a declaração.

Depoimentos

Segundo a declaração, foi feita uma investigação detalhada, e os promotores também obtiveram depoimentos de testemunhas, outros prisioneiros e carcereiros. Mas as declarações ou os resultados da investigação não estão sob o domínio público.

De acordo com a agência de notícias Mehr, um relatório inicial do legista informou que o corpo de Beheshti tinha "sinais de ferimentos", mas não havia ossos quebrados. A morte de Beheshti atraiu críticas de vários países, de políticos e grupos de defesa dos direitos humanos.

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Na semana passada, três pessoas teriam sido presas e liberadas em seguida, de acordo com um site iraniano de oposição, o Kalameh. A mãe do blogueiro foi proibida de dar declarações à imprensa, mas recentemente ela deu uma entrevista a um site e afirmou que lhe ofereceram dinheiro como indenização pela morte do filho. "Falei que não queria. O que quero é que o mundo saiba que eles mataram meu filho", afirmou.

Beheshti teria sido preso por causa de textos que escrevia em seu blog e no Facebook sobre questões sociais e políticas do Irã. O blogueiro passou uma noite na célebre prisão de Evin, em Teerã, em 30 de outubro.

Ele redigiu uma reclamação oficial às autoridades penitenciárias alegando que era vítima de maus-tratos. Em seguida, ele foi levado para um lugar não revelado.

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