Empresa americana lança programa que detecta passageiros de 'alto risco'

Sistema identifica indivíduos ou grupos com maior probabilidade de se comportar de forma 'distinta' com base em dados sobre seu passado

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No Natal de 2009, os passageiros de um voo com destino a Detroit entraram em pânico quando o jovem nigeriano Omar Farouk Abdulmutallab tentou detonar explosivos que levava em seu corpo em pleno ar. O ataque a bomba não deu certo, mas colocou em xeque os sistemas de segurança dos aeroportos americanos implementados após os atentados de 11 de Setembro de 2011 .

Mas, agora, uma empresa de tecnologia diz que com seu novo software tal incidente nunca teria acontecido e que Abdulmutallab teria sido detectado como um passageiro de "alto risco".

Infográfico:  Ataques do 11 de Setembro aumentaram rigidez da segurança aérea

O programa, desenvolvido por uma empresa dos EUA, emprega uma técnica conhecida como "avaliação de perfil de risco", que identifica indivíduos ou grupos de pessoas com maior probabilidade de se comportar de uma maneira distinta do resto da população.

A análise é feita a partir do processamento de todos os dados sobre o passado e os comportamentos de um determinado indivíduo, para detectar, assim, se eles representam uma ameaça.

No entanto, alguns já temem que o sistema induziria a preconceitos raciais ou religiosos, uma vez que um passageiro poderia ser considerado suspeito apenas por ser muçulmano ou porque nasceu em países árabes.

A empresa que desenvolveu o programa, a SAS Software, reitera, entretanto, que o sistema é "imune" a tais falhas.

Segurança

As autoridades britânicas já estão recebendo os dados de cada passageiro com destino à Inglaterra. "Os perfis de risco podem variar. Os dados disponíveis não têm nada a ver com discriminação racial ou lugar de origem. Estas são as mesmas técnicas usadas por bancos ou companhias de seguros para determinar a quem devem ou não conceder um empréstimo", disse ele.

Veja o infográfico do iG sobre segurança nos aeroportos:

O programa funciona através da alimentação de dados de passageiros, muitos dos quais já são recolhidos por autoridades de alfândega de alguns países. Todas as companhias aéreas, por exemplo, que viajam para o Reino Unido deve apresentar o que é conhecido como Advance Passenger Information (API) a partir do momento da decolagem.

Mas outros dados usados pelo programa envolvem uma combinação de fatores, tais como se o passageiro pagou a sua passagem de avião em dinheiro, se já figurou em uma lista de suspeitos ou, mesmo, se foram recentemente em um país com problemas de segurança.

Todos estes dados são processados para serem "lidos" por agentes de imigração, que podem, assim, analisar o perfil de risco de cada passageiro antes do embarque.

Contrabando

Ian Manocha, vice-presidente da SAS Software, disse que o princípio funciona tanto para passageiros de companhias aéreas quanto detransporte de carga. A Alfândega da Coréia do Sul informou que, depois de adquirir o programa, conseguiu aumentar em 20% as apreensões de produtos ilegais. "Os agentes de fronteira têm grandes quantidades de informação disponíveis, que não são exploradas", afirmou Manocha.

Entretanto, ele admitiu que o programa não teria sido capaz de detectar explosivos escondidos em cartuchos de tinta de impressão como em um avião que partiu do Iêmen aos Estados Unidos em 2010.

Naquela ocasião, uma tragédia maior foi evitada por um informante infiltrado na Al-Qaeda . Mas, em relação a Omar Farouk Abdulmutallab, Manocha disse que estava "confiante de que o nigeriano teria sido detectado".

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