Alarme antifurto em pacotes de carnes causa polêmica na França

Seguranças de supermercado que instalou equipamentos em produtos afirma que furtos cresceram com a crise econômica

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O uso de alarmes antifurto em pacotes de carne vendidos em um supermercado na França causou grande polêmica no país e provocou discussões sobre o aumento da pobreza em razão da crise econômica.

O supermercado Match, em Lille, no norte da França, passou a proteger pacotes de carne - com preço médio de 30 euros (R$ 80) o quilo - com um alarme antifurto semelhante ao usado em peças de roupas, que só são retirados com um aparelho.

A direção do supermercado preferiu não comentar a medida, mas seguranças que trabalham no local afirmaram à imprensa francesa que os furtos de comida estariam aumentando na loja.

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Pacote de carne com alarme antifurto em supermercado da França

Alguns supermercados costumam proteger alimentos sofisticados, como o foie gras e o salmão defumado, com discretas etiquetas antifurtos, que são desmagnetizadas quando o cliente passa no caixa. Mas é a primeira vez que um sistema antifurto desse tipo (uma peça grande de plástico) é colocado em um produto de consumo diário, como a carne.

Entidades sociais criticaram a medida e afirmaram que devido à crise e ao aumento do desemprego, que já atinge cerca de 10% da população, algumas pessoas acabam sendo obrigadas a furtar comida.

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"Não quero inocentar quem furta, mas há pessoas que passam fome na França", diz Vincent Lauprêtre, presidente da associação Socorro Popular. "Em 2011, distribuímos 181 milhões de refeições e ajudamos 2,5 milhões de pessoas. Há um problema real de alimentação na França", afirma.

Pobreza

Segundo uma recente pesquisa do Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos (INSEE, na sigla em francês), divulgada em setembro, o número de pobres na França aumentou em 440 mil em 2010 (último dado disponível) em relação ao ano anterior.

No total, de acordo com o instituto, 8,6 milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza na França - com menos de 964 euros por mês (R$ 2,5 mil), montante pouco abaixo do salário mínimo no país.

Outra associação, a Socorro Católico, também afirma, no estudo "Olhares sobre 10 anos de pobreza", publicado neste mês, que o número de pobres cresceu na França e que a situação das pessoas desfavorecidas se tornou ainda mais precária do que no início dos anos 2000.

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"O número de pessoas mais pobres entre os pobres aumentou 20% na última década e representa hoje 2 milhões de pessoas", diz o estudo do Socorro Católico, que afirma ter acolhido 1,4 milhão de pessoas em 2011.

Mais antifurtos

Fabricantes de equipamentos de segurança afirmam que as vendas de sistemas antifurtos para supermercados franceses estão crescendo, segundo o jornal Le Figaro.

"Com a crise, constata-se cada vez mais o furto de produtos de primeira necessidade e os supermercados estão começando a se equipar", disse ao jornal Philippe Saragaco, gerente da S. Detect, fabricante de alarmes para lojistas.

"O furto se profissionalizou, com o uso de papel celofane nas sacolas para evitar que os alarmes disparem. Já vi carne moída em meias", afirma Elias Nahra, presidente da Triomphe Sécurité, de agentes de segurança.

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