Bolívia ordena 'toque de recolher' para facilitar censo

Maior parte da população está proibida de circular pelas ruas, viajar ou abrir lojas; objetivo é que moradores fiquem em casa para receber recenseadores

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O governo da Bolívia estabeleceu uma espécie de "toque de recolher" de um dia no país para facilitar o trabalho de pesquisadores de um censo populacional. Nesta quarta-feira, a maior parte dos bolivianos está proibida de circular pelas ruas e viajar. Comerciantes que decidirem abrir as portas serão punidos com sanções econômicas.

O objetivo é que os moradores fiquem em casa para receber os recenseadores, cujo trabalho atualizará a última contagem populacional, feita em 2001.

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AP
O presidente da Bolívia, Evo Morales, cujo governo declarou 'toque de recolher' para facilitar Censo (arquivo)


O resultado do novo censo determinará a repartição de recursos financeiros do governo e a cota de representação política dos departamentos (Estados) nas instituições administrativas e Parlamento.

Os maiores beneficiados devem ser o departamento de Santa Cruz, o motor agroindustrial do país, e a cidade de El Alto - um polo receptor de migrantes do campo. Já os departamentos de Potosi e Oruro podem perder poder político e recursos, por serem fontes históricas de emigrantes para outras regiões do país e imigrantes para o exterior.

"Nenhum lugar vai ficar aberto, por isso vamos passar o dia em família assistindo filmes e futebol, já que não vamos poder sair de casa", disse o mecânico Javier Machicao à BBC Mundo. Ele afirma ter medo das multas que serão impostas aos cidadãos que forem flagrados nas ruas sem uma autorização especial.

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A comerciante Rosa Rocío Luna se queixou por perder um dia de trabalho. "Isso me prejudica por acontecer em um dia útil, deveria ser feito em um fim de semana. Vou perder dinheiro", disse.

Questão étnica

O censo também está causando polêmica no país devido à questão étnica. Os bolivianos terão que declarar aos pesquisadores com qual grupo étnico se identificam.

Isso provocou reclamações do grupo indígena Aymara, que fala uma das 34 línguas reconhecidas pelo governo no censo. Eles afirmam que a pesquisa não refletirá fielmente as subdivisões dentro da nação Aymara.

Analistas afirmam que o resultado final no censo deve ser a diminuição do número oficial de indígenas no país e o crescimento da população que se declara mestiça.

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