Brasileiros poderão ser retirados da Faixa de Gaza

Encarregado do setor consular no escritório em Ramallah, Cisjordânia, afirma terem sido tomadas providências para retirar brasileiros que quiserem sair de área de conflito

BBC Brasil | - Atualizada às

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O Escritório de Representação do Brasil em Ramallah está tomando providências para retirar cidadãos brasileiros da Faixa de Gaza. De acordo com o ministro-conselheiro João Marcelo Soares, encarregado do setor consular no escritório em Ramallah, foram tomadas providências para que seja possível retirar da Faixa de Gaza aqueles brasileiros que quiserem sair, depois de sete dias de violência na região .

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AFP
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"Entrei em contato com algumas famílias brasileiras na Faixa de Gaza para averiguar a situação deles e saber se há necessidade de algum atendimento de urgência", disse Soares à BBC Brasil. "Até o momento não há registro de feridos brasileiros", afirmou.

O diplomata brasileiro disse que entrou em contato com as agências da ONU na Cisjordânia para verificar o procedimento de retirada de cidadãos binacionais. Segundo ele, representantes da ONU se dispuseram a ajudar a retirar os brasileiros-palestinos e, nesse momento, o escritório está levantando dados para que a retirada seja possível o quanto antes.

Saída pelo Egito

A brasileira Leila Shahin , do Rio de Janeiro, é uma das pessoas que manifestaram o desejo de sair da Faixa de Gaza. "Aqui está terrível", disse Shahin à BBC Brasil, "a casa treme o tempo todo, os bombardeios não param, tanto dos aviões como dos navios". A carioca, que mora na cidade de Gaza, afirmou querer sair "para qualquer lugar que seja longe dos bombardeios".

De acordo com o diplomata brasileiro, a possibilidade seria retirar os cidadãos brasileiros para o território egípcio, pela fronteira de Rafah. Shahin também disse que não quer voltar para o Brasil, só quer sair da área de risco. "Não tenho o que fazer no Brasil", acrescentou.

De acordo com a avaliação da Representação em Ramallah, há cinco famílias brasileiras na Faixa de Gaza, e na manhã desta terça-feira os diplomatas estão tentando entrar em contato com todas elas.

Desde o início dos confrontos, há uma semana, as tropas israelenses realizaram mais de 1 mil bombardeios à Faixa de Gaza, atingindo alvos militares e civis, ligados ao governo do Hamas na região.

Entre os alvos dos bombardeios na madrugada desta terça feira estavam o Banco Islâmico de Gaza e residências de lideres de grupos armados. Nesta semana grupos palestinos armados - Hamas, Jihad Islâmica, Comitês de Resistência Popular e grupos salafistas - lançaram mais de 900 foguetes contra o sul de Israel e cinco mísseis contra a cidade de Tel Aviv.

Os confrontos deixaram mais de 100 mortos do lado palestino, metade deles civis, e três mortos civis do lado israelense .

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