Congresso confirma Xi Jinping como novo líder da China

Atual vice-presidente substituirá o líder Hu Jintao, que deixa seu cargo como chefe do Partido Comunista Chinês neste ano e a Presidência em 2013

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O Congresso do Partido Comunista da China chegou ao seu ápice nesta quinta-feira sem surpresas. O até agora vice-presidente do país, Xi Jinping, foi confirmado como chefe do partido e próximo presidente chinês.

Xi Jinping substituirá o atual líder, Hu Jintao, que deixará seu cargo como chefe do partido neste ano e a Presidência em 2013 - e será encarregado de conduzir o país mais populoso e a segunda maior economia do mundo.

Saiba mais: Entenda os desafios que aguardam a nova liderança chinesa

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O novo secretário-geral do Partido Comunista Chinês, Xi Jinping, no encerramento do congresso em Pequim

O político de 59 anos é visto como um "pequeno príncipe", termo usado para descrever os funcionários de alto escalão do partido cujo êxito, ao menos em parte, é creditado por muitos às suas conexões familiares. Xi Jinping é filho de um político que integrou nos anos 80 o Politburo, o segundo organismo na hierarquia de poder da China.

Até agora, além de ser vice-presidente, Xi integrava o Comitê Permanente do Partido Comunista da China e era membro do órgão do partido que controla o Exército, algo que os analistas viam como um sinal de que estava sendo preparado para comandar o partido.

'Sincero e honesto'

Nascido em Pequim em 1953, Xi Jinping é filho de um veterano revolucionário, Xi Zhongxun, um dos fundadores do Partido Comunista. Antes da Revolução Cultural, Xi Zhongxun foi expulso de seu posto como vice-primeiro-ministro em 1962 e posteriormente preso. Ele foi libertado somente em 1975.

Xi Jinping foi enviado com 15 anos para trabalhar na remota cidade de Liangjiahe, onde passou sete anos, algo comum entre os "jovens intelectuais" na época. Uma autoridade local que o conheceu no período o descreve como "muito sincero e honesto".

O futuro presidente declarou anos depois que trabalhar entre os camponeses foi uma "experiência-chave" em sua vida. Xi estudou engenharia química em Pequim, na mesma universidade que formou seu predecessor no cargo, Hu Jintao, e outros líderes chineses.

Após entrar no Partido Comunista, em 1974, ele foi secretário local da agremiação na província de Hebei antes de obter cargos de mais alto escalão em outras províncias. Em 2007, ele foi nomeado chefe do partido em Xangai quando o líder anterior, Chen Liangyu, foi expulso após ser acusado de corrupção.

Pouco depois, Xi foi promovido ao Comitê Permanente do Partido Comunista, do qual se tornaria vice-presidente em 2008. Ele é considerado defensor da abertura econômica depois de ter trabalhado durante anos para atrair o investimento estrangeiro a Fujian e Zhejiang.

Em 2005, quando era secretário do partido em Zhejiang, ele afirmou à imprensa que o "governo deveria ter um papel limitado" e afirmou que, quando há problemas que o governo não pode solucionar, a população deve ter poder de abordá-los.

Conhecido por advogar a tolerância zero com os funcionários corruptos, Xi foi encarregado em duas ocasiões de fazer frente a grandes problemas, como no fim dos anos 1990, quando ajudou a esclarecer um escândalo de corrupção. Posteriormente, em 2004, afirmou em um discurso a autoridades: "Freiem suas esposas, filhos, familiares, amigos e empregados e prometam não usar o poder para benefício próprio".

Apesar disso, uma reportagem da agência de notícias americana Bloomberg neste ano, que analisava as finanças dos familiares de Xi, levou ao bloqueio da página da agência na internet na China, apesar de a investigação não ter encontrado indícios de ações inadequadas por parte do político e de sua família.

Laços com os EUA

Xi também é conhecido por falar sem rodeios. Em 2009, no México, rebateu as críticas contra as preocupações pela pujança chinesa. "Alguns estrangeiros com os estômagos cheios e nada melhor para fazer se dedicam a nos apontar o dedo", reclamou. "Primeiro: a China não exporta a revolução. Segundo: não exporta fome e pobreza. Terceiro: não incomoda vocês. Que mais se pode dizer?", afirmou na ocasião.

Seus comentários de que prometia "esmagar" qualquer tentativa de desestabilizar o Tibete também contribuíram para fortalecer sua fama de orador contundente. Alguns analistas acreditam que o mundo verá mais mostras de sua contundência ao falar quando ele assumir seus novos cargos.

Leia também: Partido Comunista Chinês encerra congresso em Pequim

"Com a elevação do sentimento nacionalista na China, Xi Jinping terá que ser mais enérgico", afirma o analista Bo Zhiyue, da Universidade Nacional de Cingapura.

Mas, para muitos na China, Xi é mais conhecido por causa de sua mulher, a cantora Peng Liyuan, que também é general do Exército. O casal tem uma filha, Xi Mingze, que estuda na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, sob um pseudônimo, para manter o anonimato.

Peng Liyuan descreve seu marido como "austero, trabalhador e com os pés no chão". Pouco se sabe dos hobbies de Xi além de que gosta de basquete e, de acordo com uma comunicação diplomática americana vazada, de filmes de Hollywood.

Esse gosto teria sido consequência do breve período que passou nos Estados Unidos, em 1985, com uma família do Estado de Iowa, onde estudou técnicas de criação de porcos. Em fevereiro deste ano, voltou à mesma cidade em uma viagem aos Estados Unidos vista como um movimento para elevar seu reconhecimento internacional.

Na ocasião, a mídia local entrevistou gente que o conheceu nos anos 1980. "Era imponente, mas nada reservado", afirmou Joni Axel ao diário local Muscatine Journal. "Ele tinha um sorriso para todos e se lembrava de histórias com cada um dos velhos amigos", disse. N

essa mesma visita, ele pediu a criação de uma "confiança estratégica" mais profunda entre a China e os Estados Unidos para reduzir os mal-entendidos. E disse que as relações entre ambos os países são "um rio imparável" ao enfatizar que uma China próspera é uma força positiva para a paz global.

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