Mesmo sem chance de vitória, 'nanicos' podem influenciar eleição nos EUA

Saiba mais sobre os outros candidatos à presidência: Virgil Goode, Gary Johnson, Jill Stein e Rocky Anderson

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Jill Stein, candidata do Partido Verde (arquivo)

Eles sabem que não têm a menor chance de serem eleitos, mas os candidatos dos pequenos partidos à Casa Branca fazem campanhas empolgadas, contam com eleitores leais e, apesar da limitada ambição, podem impactar o resultado da eleição presidencial americana.

"É possível que na Virgínia, por exemplo, um Estado-pêndulo, um dos candidatos alternativos incomode Mitt Romney ", disse à BBC Brasil Clive Wilcox, professor de ciência política da Georgetown University. O acadêmico se refere a Virgil Goode , candidato do Partido da Constituição.

Goode, um parlamentar com passado nos partidos Democrata e Republicano, é conhecido por sua plataforma extremamente conservadora, intolerante com imigrantes e contra o aborto. E a meta do Partido da Constituição é justamente atrapalhar o candidato republicano na corrida à Casa Branca.

Os seguidores de Goode acham que o partido de Romney não é tão conservador quanto deveria ser e, portanto, não merece uma vitória em 6 de novembro. "Se tivermos sucesso suficiente e mudarmos o resultado em um dos Estados, o GOP (Grand Old Party, como também é conhecido o Partido Republicano) terá de mudar e governar de acordo com os princípios conservadores que diz ter, mas não aplica, ou será preciso substituir o partido", disse à BBC Brasil Mitch Turner, presidente do Partido da Constituição no Estado da Virgínia.

Leia também: Candidatura de ex-deputado pode custar votos a Romney na Virgínia

Saiba mais: Veja o especial com a cobertura completa das eleições nos EUA

Entre 1996 e 2008, Goode conseguiu mais de 120 mil votos nas eleições municipais realizadas na Virgínia. Ele só precisa conseguir 10% desse número com votos de eleitores conservadores para que Romney perca os 12 colégios eleitorais do Estado para o atual presidente, Barack Obama.

Pedra no sapato

Os candidatos alternativos também podem ser uma pedra no sapato de Obama. O mais popular deles, Gary Johnson , do Partido Libertário, que conta com cerca de 5% das intenções de voto em âmbito nacional, atrai tanto eleitores conservadores quanto liberais.

O ex-governador republicano do Estado do Novo México se apresenta como um candidato mais conservador do que o presidente democrata em políticas sociais e mais conservador que Romney em políticas fiscais, um pacote atraente para os americanos que querem um governo menor e uma sociedade mais aberta.

Johnson pode impactar os resultados em Estados-pêndulo como Colorado, Nevada e New Hampshire. A maior parte dos Estados americanos já tem um histórico de vitória de um dos dois principais partidos. Os resultados nos 13 Estados-pêndulo, portanto, são decisivos .

Jill Stein, do Partido Verde, mesmo sem chances de ser eleita, tem motivos para acreditar que pode mudar o rumo da eleição e, quem sabe, aumentar a conscientização de Washington com a causa ecológica.

Em 2000, seu colega de partido, Ralph Nader, conseguiu 2,8 milhões de votos, incluindo mais de 94 mil votos na Flórida, o Estado que entrou para a história com a recontagem de votos que fez com que o democrata Al Gore perdesse a eleição presidencial para George W. Bush por meros 537 votos.

Outro candidato que também apela para eleitores que tradicionalmente votam em democratas é Rocky Anderson. Em 2011, o ex-prefeito de Salt Lake City, no Estado de Utah, resolveu criar o Partido da Justiça, pois acreditava que os americanos mereciam uma opção melhor do que a oferecida pelos dois principais partidos do país.

"Sei que não vou ter um impacto sobre o resultado da eleição, mas a ideia é passar uma mensagem para as pessoas que não se dão conta da severidade da situação de nosso país e aumentar a base do partido", disse Anderson à BBC Brasil.

O ex-prefeito acredita que é necessário dar mais espaço a outros partidos políticos, pois os partidos Democrata e Republicano "sequestraram o processo eleitoral" ao proibir que os candidatos de partidos pequenos participem de debates presidenciais e dificultar a inclusão de seus nomes nas cédulas. "Os dois grandes partidos têm um duopólio e degradam nossa democracia", disse Anderson.

Queda

Mas a verdade é que a influência dos candidatos de partidos menores tem apresentado uma queda desde 1992, quando o candidato independente Ross Perot surpreendeu cientistas políticos e despertou a ira dos republicanos ao conquistar a simpatia dos eleitores conservadores na eleição presidencial.

Naquele ano, o milionário texano conseguiu 19% dos votos em âmbito nacional e fez com que o republicano George H.W. Bush perdesse a eleição para o jovem democrata Bill Clinton. "Alguns dos candidatos de partidos menores têm posições muito interessantes, mas geralmente votar neles é um desperdício de voto", disse Wilcox.

De acordo com uma pesquisa nacional da Fox News divulgada em 1° de novembro, os candidatos dos partidos alternativos contam com apenas 1% das intenções de voto, enquanto Obama e Romney estão empatados com 46% dos votos. "Em uma eleição apertada como esta, umas centenas de votos podem fazer a diferença", afirmou o cientista político.

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