Conheça os políticos que disputam a liderança da China na próxima década

Prestes a promover seu congresso, o Partido Comunista chinês deve selecionar a próxima geração de líderes do país; reunião ocorre a cada 10 anos

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O Partido Comunista da China está prestes a promover seu congresso, realizado uma vez a cada dez anos para definir, dentre outras coisas, a próxima geração de líderes do país. Os cargos mais importantes estão no topo do Politburo, o principal organismo da estrutura de poder da China. Seus membros - nove no total, mas que podem ser reduzidos a sete - são responsáveis por decidir as questões mais importantes do futuro do país.

Conheça os líderes chineses cotados para ocupar os postos mais altos da hierarquia:

Xi Jinping

É o mais cotado para se tornar o próximo chefe do Partido Comunista e presidente da China. Filho de um proeminente político chinês que acabou sendo expurgado do partido, ele aprendeu os meandros da política do país desde cedo, ao ser enviado para trabalhar no interior da China.

Reuters
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Seus laços com as Forças Armadas e seu apoio à indústria estatal sugerem que ele é um político bastante conservador. Nascido em Pequim em 1953, Xi estudou engenharia química na Universidade Tsinghua e filiou-se ao Partido Comunista em 1974. Trabalhou nas províncias de Hebei, Fujian e Zheijang até ser nomeado chefe do partido em Xangai em 2007, encarregado de lidar com um escândalo de corrupção.

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Em 2004, disse a autoridades do partido que "controlem seus esposos, filhos, parentes e amigos, e jurem não usar o poder para obter ganhos pessoais". Para muitos chineses, Xi Jinping é menos conhecido do que sua mulher, a cantora folk Peng Liyuan. Há relatos de que a filha do casal estuda em Harvard, nos EUA.

Pouco se sabe de sua vida pessoal, fora o fato de ser fã de basquete e, segundo um telegrama americano vazado à imprensa, de filmes de guerra hollywoodianos (hábito possivelmente adquirido durante uma breve estadia no estado de Iowa durante a juventude).

Li Keqiang

A carreira de Li Keqiang evoluiu de trabalhos manuais em uma comuna rural a líder provincial do Partido Comunista - e, agora, a possível líder nacional. Sua reputação é de dar atenção à parcela mais pobre da população chinesa, em decorrência de sua infância modesta. Cotado para assumir o cargo de premiê da China (atualmente ocupado por Wen Jiabao), Li é próximo ao atual presidente do país, Hu Jintao, com quem trabalhou na liga juvenil do partido.

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É de estilo conciliador, o que faz com que críticos questionem sua dureza para enfrentar a ampla gama de interesses que se chocam na economia chinesa. Nascido em 1955, Li estudou direito na prestigiosa Universidade Peking (Pequim). Em 1998, foi escolhido vice-secretário do Partido Comunista na província de Henan e, no ano seguinte, tornou-se o mais jovem governador provincial.

Mas seu período no governo foi marcado por uma série de contratempos que quase puseram fim à sua carreira, incluindo um escândalo de casos de contração de HIV via sangue contaminado. Ele teve mais sucesso no campo econômico, ao reviver a economia de Henan e na província industrial de Liaoning, duramente afetada por reformas no setor industrial estatal.

Wang Qishan

Conhecido por líderes ocidentais como uma figura-chave nas discussões sobre a economia global e os laços econômicos China-EUA. Henry Paulson, ex-secretário do Tesouro dos EUA, descreveu Wang como "decisivo e inquisitivo", com um "senso de humor perverso". O chinês é frequentemente comparado a seu mentor político, o ex-premiê Zhu Rongji, já que ambos são vistos como dinâmicos e dispostos a desafiar o status quo. Ambos compartilham o mesmo apelido, "chefe da brigada de incêndio", por seus esforços em gerenciamento de crises.

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Por seu perfil, simpatizantes dizem que Wang seria melhor premiê do que o favorito ao cargo, Li Keqiang. Wang também é filho de um político proeminente e é casado com Yao Minshan, filha de um ex-vice premiê. Nascido na província de Shandong, Wang estudou história na Universidade Northwestern (EUA) e depois trabalhou como pesquisador. Entrou no Partido Comunista relativamente tarde, aos 35 anos de idade, e trabalhou como banqueiro antes de tornar-se prefeito de Pequim, em 2004.

Ele tomou posse no momento de pico da epidemia da SARS (causadora de pneumonia) e trabalhou em conjunto com a OMS (Organização Mundial da Saúde), sendo elogiado por não subestimar o impacto do surto.

Li Yuanchao

Lidera o departamento organizacional do Partido Comunista, que avalia a performance de seus membros e decide quem fica com qual cargo. Esse papel é tão crucial que ajudou ex-líderes do departamento - inclusive Mao Zedong e Deng Xiaoping - a se projetar aos maiores cargos do partido.

Lié filho de um ex-prefeito de Xangai e é visto como um protegido do presidente Hu Jintao, cuja base de apoio é a liga juvenil do partido. Formado em matemática pela Universidade Fudan, Li é pós-graduado em economia pela Universidade de Pequim e doutorado em direito pela Escola Central do Partido. Também cursou a Universidade Harvard.

Antes de comandar o departamento organizacional, Li era chefe do partido na província de Jiangsu, onde lidou com um caso de poluição industrial de um lago que supria água à população. Na ocasião, foi alvo de críticas, mas também de elogios por fazer com que autoridades locais dessem satisfação ao público e fossem avaliadas por cidadãos.

Zhang Dejiang

Escolhido pelos líderes chineses para sua tarefa mais árdua de 2012: Ocupar a liderança do partido em Chongqing após o expurgo de Bo Xilai. Essa passagem cimentou sua reputação como homem forte em momentos de crise e indicou que ele deve ser nomeado para algum posto alto. Enquanto muitos dos novos líderes chineses se aproximam do Ocidente, Zhang é um especialista no mais antigo aliado da China, a Coreia do Norte (estudou economia durante dois anos em Pyongyang).

Zhang, filho de um militar, começou sua carreira partidária na fronteira com a Coreia do Norte, antes de ser transferido para Zheijang e trabalhar como secretário do partido em Cantão, entre 2002 e 2007. Seu período no governo não foi livre de polêmicas: quando a epidemia da SARS explodiu na província, em 2002, o governo teve uma resposta lenta.

Como líder do partido, Zhang foi alvo de duras críticas. Sua atitude rígida perante jornalistas e manifestantes também minou sua popularidade. Ele é conhecido por ser reativo a reformas e se opôs à entrada de empresários no Partido Comunista. Nomeado vice-premiê em 2008, ficou encarregado de setores como energia, telecom e transportes.

Liu Yandong

Única mulher entre os 24 membros mais fortes do Politburo. Tem chance, ainda que remota, de ser a primeira mulher do comitê principal do órgão. Nascida em Jiangsu, ela personifica a "filha de político bem relacionada". Seu pai, um vice-ministro de Agricultura, é apontado como a pessoa que introduziu o pai adotivo do ex-presidente Jiang Zemin ao Partido Comunista.

Liu estudou na Universidade Tsinghua, também frequentada pelo atual presidente Hu Jintao - de quem ela foi vice na liga juvenil do partido. Liu depois estudou sociologia na Universidade de Renmin. Yang Yuanxing, seu marido há mais de 40 anos, também é de família influente e hoje é empresário no setor de tecnologia. O casal tem uma filha, que estaria trabalhando em Hong Kong.

Segundo um documento diplomático americano vazado à imprensa, Yang chegou a dizer a diplomatas que sua mulher fala bem inglês e é fã de fotografia. A reputação dela é de uma pessoa discreta, mas eficiente e trabalhadora. Ela já se manifestou quanto à necessidade de transpor mal-entendidos culturais e recentemente estimulou cientistas estrangeiros a formarem parcerias com especialistas chineses.

Liu Yunshan

Líder do departamento de propaganda do partido, que controla a mídia estatal e regula o uso da internet. Yunshan, de 55 anos, trabalhou na Mongólia Interior por quase 30 anos a partir de 1968, depois de ser mandado para lá ainda jovem para trabalhar em uma comuna. Tornou-se repórter da agência estatal Xinhua, especialista em relações públicas e, por fim, vice-secretário do partido.

Nascido em Xinzhou, ele entrou no partido em 1971 e formou-se na própria escola do partido. Trabalhou com o presidente Hu Jintao na liga juvenil do partido e é visto como um aliado próximo deste. Seu filho, Liu Lefei, é um proeminente investidor em um fundo de private equity.

Se for promovido ao principal comitê do partido, Liu deverá manter a linha dura na censura à imprensa e a intolerância a críticas, bem como as restrições ao conteúdo da internet. "É impossível controlar (a difusão de informações pela web)", disse ele recentemente. "Acho que usuários de internet devem trocar informações livremente, mas seguindo certas regras."

Yu Zhengsheng

Chefe do partido em Xangai, a maior cidade da China. De família influente e com laços próximos tanto do ex-presidente Jiang Zemin e do atual, Hu Jintao, ele também tem elos com a família do falecido líder reformista Deng Xiaoping. Um fato incomum: sua carreira sobreviveu à deserção de seu irmão, que foi aos EUA nos anos 1980.

O pai de Yu esteve brevemente casado com Jiang Oing, que depois se tornou conhecida como a Madame Mao. Yu se formou no Instituto de Engenharia Militar em Harbin, especializando-se em mísseis balísticos, e trabalhou em engenharia eletrônica por quase duas décadas, até meados dos anos 80.

Depois, ele foi prefeito e chefe do partido na cidade de Qingdao (leste). Também ajudou a promover duas das marcas chinesas mais conhecidas no exterior, uma de cerveja (Tsingtao) e outra de equipamentos (Haier).

Recentemente, ao comentar as tensões entre meio ambiente e desenvolvimento urbano, Yu disse que "a China atingiu um alto nível de sucesso econômico, ainda que com muitos problemas derivados disso, como o aumento da disparidade de renda e mais tensões nas relações humanas".

Wang Yang

Visto como o porta-bandeira de uma nova geração de reformistas na cúpula política chinesa. "Para resolver o problema dos grupos que resistem a reformas, precisamos primeiro fazer uma cirurgia dentro do partido e do governo", disse ele ao Congresso Nacional do Povo em 2012.

Wang conquistou a fama de liberal como chefe do Partido Comunista em Chongging. Recentemente, foi elogiado por ter intermediado uma disputa de terra na aldeia de Wulkan, onde é chefe do partido desde 2007.

Nascido em Suzhou, Wang vem de família humilde. Trabalhou em uma fábrica de processamento de alimentos nos anos 1970, antes de estudar políticas econômicas na Escola Central do Partido Comunista. Virou membro da liga juvenil do partido quando esta era comandada pelo presidente Hu Jintao.

Em Cantão, Wang é conhecido por manter proximidade com empresários e empreendedores locais, por sua atitude mais aberta ao redesenvolvimento e por promover a felicidade como medida de progresso de um país, em lugar do PIB (Produto Interno Bruto).

Zhang Gaoli

Chefe do partido em Tianjin, cidade grande e próspera ao leste de Pequim. Nascido em Fujian, ele se formou na Universidade de Xiamen após estudar estatísticas e economia. Passou grande parte de sua carreira trabalhando na indústria do petróleo, até entrar para a política na província de Cantão, em meados dos anos 1980.

Sua carreira decolou em 1998, como chefe do partido na cidade de Shenzhen, perto de Hong Kong. Enquanto supervisionava o desenvolvimento econômico da cidade, ele forjou laços com o ex-presidente Jiang Zemin e seus simpatizantes - relação que ajudou Zhang a ser promovido a governador da província de Shandong, em 2002. Conhecido pela discrição, Zhang deixa transparecer pouco de suas opiniões e sua vida pessoal.

Meng Jianzhu

É o atual ministro de Segurança Pública, cargo proeminente por cuidar das forças de segurança domésticas. Meng Jianzhu é visto por alguns como o candidato a coordenar toda a segurança interna chinesa. Mas como ele deve seu crescimento político ao ex-presidente Jiang Zemin, não está claro se tem atualmente apoio suficiente para ser promovido.

Meng nasceu na província de Jiangsu e filiou-se ao Partido Comunista em 1971. Estudou engenharia de sistemas industriais no Instituto de Engenharia Mecânica de Xangai.

Em 1993, tornou-se um dos vice-prefeitos da cidade; depois, ocupou os cargos de vice-chefe do partido e depois chefe na província de Jiangxi, em 2007. Em seu posto atual, de coordenação da polícia chinesa, Meng costuma ser acionado em temas de segurança nacional.

Há relatos de que ele recomendou a policiais em treinamento que sejam "racionais, fáceis de se lidar, civilizados e corretos" em suas funções. Mas acrescentou que a polícia deve reconhecer "a tarefa pesada e difícil de manter a estabilidade no país".

Hu Chunhua

Chefe do partido na Mongólia Interior, é um dos mais jovens líderes do país e apontado como estrela ascendente do Partido Comunista. É conhecido como "Pequeno Hu" por seus laços com o presidente Hu Jintao - mas, apesar do mesmo sobrenome, os dois não são parentes.

Se obtiver um assento no conselho mais alto do Politburo, Hu Chunhua, de 49 anos, será seu membro mais jovem, bem como o mais forte candidato a substituir o próximo presidente (acredita-se que Xi Jinping) em 2022.

Hu é de uma família de fazendeiros de origem humilde, mas estudou na prestigiosa Universidade Peking. Sua carreira política começou no Tibete, na liga juvenil do partido (que é a base de poder de Hu Jintao). Trabalhou por 23 anos no Tibete, região onde o domínio chinês costuma despertar forte tensões étnicas.

Hu mudou-se para a Mongólia Interior em 2009 e foi elogiado pela forma como lidou com protestos de membros da etnia mongol, que se queixavam que a mineração estava destruindo seus pastos. "No processo de desenvolvimento, é necessário que a preservação dos interesses das massas seja o ponto de partida", disse na ocasião. "Se os interesses das pess

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