Ziauddin Yousufzai diz que pretende levar a filha de volta ao Paquistão após tratamento; ela foi alvo do Taleban por defender direito das meninas à educação

BBC

Parentes da adolescente paquistanesa Malala Yousafzai, baleada na cabeça pelo Taleban por fazer críticas ao movimento insurgente em seu blog, visitaram menina na quinta-feira a no hospital em que ela está internada em Birmingham, no Reino Unido.

A visita ocorreu um dia após o pai de Malala, Ziauddin Yousufzai, ter prometido levá-la de volta ao Paquistão. Ziauddin também negou, em entrevista à imprensa de seu país, que a família tenha intenção de pedir asilo ao Reino Unido.

Leia também:  Paquistão prende nove suspeitos de atentado contra ativista de 14 anos

Malala Yousufzai, baleada pelo Taleban, é vista em hospital no Reino Unido
AP
Malala Yousufzai, baleada pelo Taleban, é vista em hospital no Reino Unido

"A primeira vez (que me perguntaram sobre a possibilidade de solicitar asilo), eu ri, porque todos os nossos sacrifícios - o meu (sacrifício) pessoal e o ataque à minha filha - não podem ter sido em vão. Não podem ser uma desculpa barata para mudarmos para um outro país e vivermos o resto de nossa vida lá", ele disse, em Urdu.

As declarações foram feitas ao lado do ministro do Interior, Rehman Malik, em Islamabad. Segundo a agência de notícias Associated Press, Malik teria prometido que o governo protegerá Malala e sua família quando eles voltarem.

Leia também:  Menina baleada pelo Taleban melhora e consegue ficar de pé com ajuda

Ziauddin estaria entre o grupo de parentes que chegaram ao Reino Unido para ver Malala. Eles voaram para Birmingham e foram escoltados pela polícia até o Queen Elizabeth Hospital.

Malala teria pedido ao pai que levasse alguns de seus livros escolares para o Reino Unido. "Mesmo lá (no hospital) ela está preocupada com os estudos", disse Malik.

Ataque

Malala, de 15 anos, ficou conhecida dentro e fora do Paquistão em 2009, quando assinava, com apenas 12 anos, o blog Diário de uma Estudante Paquistanesa na BBC Urdu, site da BBC para o Paquistão.

No blog, ela relatava as dificuldades de viver em uma região sob forte influência do Taleban e defendia a educação de meninas - a qual integrantes do grupo insurgente se opõem firmemente.

O Taleban disse que atirou em Malala porque ela "promove o secularismo" e prometeu atacá-la novamente, caso ela sobreviva. Por isso, há quem questione se seria seguro para a menina retornar a seu país.

O atentado contra a menina ocorreu quando ela voltava para casa da escola no dia 9 deste mês, na cidade de Mingora, no Vale do Swat. Dois homens armados abordaram a van escolar em que Malala estava, juntamente com outras dez crianças, em uma avenida congestionada.

Um deles entrou na van e perguntou quem era Malala. Ao receber a resposta, ele disparou três tiros - acertando a menina na cabeça e ferindo duas de suas colegas.

Malala foi levada ao Reino Unido para que pudesse receber tratamento seis dias mais tarde. Na quinta-feira (dia 25), médicos do hospital de Birmingham disseram que ela ainda precisará ficar mais tempo em recuperação antes de se submeter a uma cirurgia.

A menina foi atingida por uma bala em cima do olho esquerdo e por outra no pescoço. De acordo com os médicos, seu crânio precisará ser reconstruído com enxerto de osso ou uma placa de titânio.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.