Aumento de ataques com laser contra pilotos preocupa autoridades britânicas

Nos últimos três anos, foram registrados mais de 4,5 mil destes ataques, quando alguém em terra direciona feixe de laser contra aeronaves, o que pode afetar visão dos pilotos

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Autoridades e pilotos de avião e de helicóptero do Reino Unido estão preocupados com o aumento de ataques com canetas de laser contra as aeronaves, o que já foi descrito pelo governo como um "grave problema".

Nos últimos três anos, houve mais de 4,5 mil registros desse tipo de ataque, quando uma pessoa em terra direciona um feixe de laser contra as aeronaves, o que pode afetar a visão dos pilotos. Entre 2007 e 2009 os casos somaram menos de mil ocorrências.

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Conhecidos como canetas de laser, os objetos emitem um facho de luz e são normalmente usados para apresentações em empresas e escolas, como instrumento para apontar determinados pontos à distância, mas, nos últimos anos, vêm sendo empregados por crianças, adolescentes e adultos para brincadeiras e usos indevidos.

A Autoridade de Aviação Civil britânica (CAA, na sigla em inglês) destaca que a luz do laser pode deixar os pilotos confusos durante os procedimentos de decolagem e aterrissagem.

"Há uma tendência crescente nos últimos anos e estamos trabalhando duro para lidar com isso. Acreditamos que essa onda esteja relacionada à diminuição do custo dessas canetas de laser e um melhor registro das ocorrências", diz Mark Eley.

Glasgow e Manchester

Os aeroportos de Glasgow, na Escócia, e Manchester, no centro da Inglaterra, têm registrado um grande número de casos desse tipo e são vistos pelo governo britânico como duas das áreas de maior risco no país.

Ainda no início deste ano, a CAA passou a realizar exames oftalmológicos nos pilotos para determinar se eles necessitavam de tratamento após terem contato com o laser das canetas em seus olhos. Os lasers verdes são os mais perigosos, já que o olho humano é muito sensível à luz desta cor.

Um piloto de 29 anos, que preferiu se identificar apenas como Matt, disse que já passou por um ataque do tipo. "Notamos uma luz verde muito intensa entrando na cabine de comando. Fiquei chocado, era como se eu estivesse olhando para um flash de uma câmera, porque tudo que eu conseguia enxergar quando pisquei era um ponto branco. Me distraiu e, se eu estivesse prestes a aterrissar, poderia ter sido catastrófico", conta.

Brincadeira perigosa

Em 2010, uma nova lei deu maior importância ao assunto e destacou a gravidade desses ataques. A legislação permite que autores desses ataques sejam acusados por "direcionar um facho de luz a uma aeronave para confundir os pilotos".

A lei pode aplicar uma multa de £ 2 mil (cerca de R$ 6.500) e já foi posta em prática em 23 casos em 2010 e 60 em 2011.

Para o policial Scott Gibbons, que lida com o problema no aeroporto de City, em Londres, as crianças e adolescentes precisam se conscientizar da gravidade do problema. "Com frequência, são jovens fazendo isso como uma brincadeira, sem a noção do quão perigoso é direcionar a luz contra as aeronaves. Pode parecer uma brincadeira na hora, mas as pessoas estão sendo condenadas por esse crime e, no fim das contas, é algo muito perigoso", alerta.

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