Debate dos candidatos a vice nos EUA é marcado pela agressividade

Joe Biden e Paul Ryan debateram pontos como política externa, segurança nacional, impostos e aborto atacando-se mutuamente

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Os candidados a vice-presidente dos Estados Unidos Joe Biden, do Partido Democrata, e Paul Ryan, do Partido Republicano, se confrontaram em um debate marcado pela agressividade na noite desta quinta-feira. O embate acontece em um momento em que as pesquisas de intenção de voto nos Estados Unidos apontam para uma disputa apertada pela liderança da corrida presidencial. Os candidatos debateram pontos como política externa, segurança nacional, impostos, saúde pública e aborto atacando-se mutuamente - de forma que a moderadora Martha Raddatz, da ABC News, teve que fazer uma série de intervenções.

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Joe Biden e Paul Ryan participaram de debate televisivo


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Segundo analistas, Biden foi ao debate preparado para fazer os ataques à candidatura de Romney que o presidente Obama não fez no primeiro debate presidencial na semana passada. Na quarta-feira, o presidente americano afirmou ter sido "educado demais" com seu rival no debate anterior. Alguns analistas avaliaram que seu desempenho foi mais fraco que o de Romney.

Ao contrário do debate presidencial, o democrata Biden defendeu seus pontos mais apaixonadamente, enquanto o republicano Ryan optou pela calma - porém sem deixar de atacar seu oponente. Segundo a correspondente da BBC Katty Kay, os democratas precisavam mudar a imagem passada por Obama na semana anterior. Segundo ela, apesar da atitude de Biden, os republicanos devem sair felizes com a performance de Ryan, comemorando uma eventual vitória. Ryan se manteve relativamente calmo em relação às provocações de Biden para tentar manter a vantagem obtida por Romney no embate anterior, disseram analistas.

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Política externa

O debate começou com Ryan atacando Biden com referências ao episódio do assassinato do embaixador americano na Líbia no mês passado. Segundo ele, o governo falhou primeiro em garantir a segurança do local e depois por demorar duas semanas para perceber que se tratava de uma "ação terrorista" organizada e não o resultado de uma manifestação motivada por um vídeo anti-islã produzido nos EUA.

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"Vamos achar os responsáveis e fazer justiça", afirmou Biden que se apoiou no assassinato do extremista Osama Bin Laden para defender a administração democrata. Ele atacou Ryan dizendo que a estratégia republicana de dar uma entrevista coletiva sobre política na manhã seguinte ao ataque não foi uma atitude de "liderança presidencial". Questionado por Raddatz se os EUA deveriam se desculpar por atitudes que provocaram a ira de povos do Oriente Médio como a queima de exemplares do Corão por militares, Ryan disse que "não devemos nos desculpar por nossos valores".

Sobre a questão nuclear do Irã, os dois expuseram opiniões semelhantes: não deixar Teerã desenvolver armas nucleares, mas evitar ao máximo uma ação com tropas terrestres no país. Ryan afirmou que quando Obama chegou à Casa Branca, o Irã tinha material nuclear para fazer uma bomba. Hoje, teria acumulado o suficiente para produzir três. Biden argumentou que Teerã não tem armas capazes de serem abastecidas com esse material nuclear.

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Economia

Biden atacou Ryan fortemente ao se referir a uma gafe de Romney. O candidato republicano à Presidência foi flagrado dizendo que 47% dos americanos que não pagam impostos federais não estão dispostos a assumir a responsabilidade por suas próprias vidas.

Ryan disse que às vezes as palavras não saem da boca como se quer e acusou Biden de cometer gafes no passado. O democrata ambém atacou na questão da saúde pública, afirmando que Ryan teria apoiado um orçamento que tornaria o tratamento de saúde caro demais para os idosos.

"Não há pessoas ricas e pequenos comerciantes suficientes para pagar por todos os gastos do governo", devolveu Ryan. Obama e Romney estão virtualmente empatados na Flórida e na Virginia. O democrata vence por uma margem muito pequena em Ohio. Obama e Romney ainda devem se enfrentar em novos debates.

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