Paquistanesa baleada por defender direito de meninas estudarem é operada

Malala Yousafzai, 14 anos, foi alvo de ataque do Taleban quando viajava com outras garotas na região do Vale do Swat, parte ultraconservadora do país

BBC Brasil |

BBC

Uma menina de 14 anos que foi baleada pelo Taleban após fazer críticas ao grupo no Paquistão foi operada nesta quarta-feira. Malala Yousakzai está em condição de saúde estável, depois que médicos conseguiram retirar a bala de sua cabeça.

O violento episódio tem dominado o noticiário do Paquistão e provocado revolta dentro e fora do país. Autoridades e ONGs de direitos humanos condenaram o ataque e alertaram para os desdobramentos que ele pode causar, segundo a correspondente da BBC em Islamabad, Orla Guerin.

Leia também: Taleban atira em paquistanesa defensora dos direitos das mulheres

AP
Soldados carregam garota de 14 anos vítima de um ataque do Taleban (09/10)

Malala Yousafzai é uma das estudantes mais conhecidas do país. Mesmo jovem, ela ousou fazer o que muitos outros não tiveram coragem: criticar publicamente o Taleban. Ela fazia campanha pela educação das meninas no país.

Ela foi baleada na terça-feira quando viajava com outras garotas na região do Vale do Swat, parte ultraconservadora do país. Um homem com barba teria atirado em Malala - não está claro se o ataque ocorreu antes de as meninas embarcarem na van ou durante o trajeto.

Infográfico:  Saiba mais sobre as mulheres no mundo árabe e muçulmano

Ela foi atingida na cabeça e, segundo algumas testemunhas, também no pescoço. Após ser levada para um hospital local, ela foi transferida por helicóptero para um mais especializado em Peshawar.

Um porta-voz do Taleban confirmou que o grupo é responsável pelo ataque a Malala, sob a justificativa de que a menina é "anti-Taleban e secular, e não poderia ser poupada".

Consequências

De acordo com a correspondente da BBC, até mesmo para a realidade sangrenta que predomina no Paquistão, o crime provocou fúria no país. O ataque foi condenado pelo premiê Raja Pervez Ashraf, que enviou um helicóptero para transferir Malala para Pashawar.

O presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, disse que o ataque contra Malala não afetará a luta do país contra os militantes islâmicos e em favor da educação feminina.

O diretor do Comitê Indepentende de Direitos Humanos do Paquistão, Zohra Yusuf, disse que "esse trágico ataque contra uma criança tão corajosa" envia uma mensagem assustadora para todos que lutam para as mulheres e meninas paquistanesas.

O crime também foi criticado pela maioria dos partidos políticos paquistaneses, celebridades de TV e outros grupos de direitos humanos, como a Anistia Internacional.

A campanha articulada de Malala em prol da educação de meninas lhe rendeu admiradores e reconhecimento dentro e fora do país. Ela apareceu em TVs nacionais e internacionais falando de seu sonho de um futuro em que a educação no Paquistão prevalecesse.

Sua luta começou quando ela tinha apenas 11 anos. Sob um pseudônimo, a estudante escrevia regularmente um diário para o Serviço Urdu da BBC enquanto o Taleban controlava a região de Swat três anos atrás e a educação de meninas era proibida.

Os depoimentos de Malala na época podem ser lidos (em inglês, no site da BBC).

    Leia tudo sobre: paquistãotalebanmulheresMalala Yousafzai

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG