Relatório aponta problemas em centenas de usinas nucleares europeias

Segundo Comissão Europeia, as 143 instalações do bloco precisam de melhorias com custo estimado em 25 bilhões de euros

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O rascunho de um relatório da Comissão Europeia identificou "centenas" de problemas em usinas nucleares europeias. Segundo o documento, as 143 usinas do bloco precisam passar por melhorias, que devem custar aproximadamente 25 bilhões de euros.

O organismo investigou as condições das usinas após o acidente nuclear de Fukushima. O objetivo era investigar como as usinas nucleares reagiriam durante emergências extremas.

Infográfico: Entenda o funcionamento de uma usina nuclear

Reuters
Imagem de 11 de março de 2011 mostra usina nuclear de Fukushima após a passagem do tsunami

A versão final do relatório deve ser publicada na quinta-feira e ainda pode sofrer alterações. Já ativistas anti-nucleares afirmaram que as advertências do relatório foram superficiais.

O órgão regulatório da energia nuclear na Europa solicitou à Comissão que não usasse linguagem capaz de minar a confiança do público na energia nuclear, segundo o correspondente da BBC em Bruxelas Chris Morris.

Falhas francesas

O rascunho do documento critica a proximidade dos reatores de regiões populosas da União Europeia. Ao menos 47 das usinas nucleares, com 111 reatores, estão instaladas em locais nos quais mais de 100 mil pessoas vivem em um raio de 30 quilômetros do reator.

"Os resultados dos testes de estresse mostram que praticamente todas as usinas nucleares precisam passar por melhorias de segurança", diz o documento. "Centenas de medidas de melhoria técnica já foram identificadas".

"Após os acidentes de Three Mile Island e Chernobyl, medidas urgentes para proteger as usinas nucleares foram acordadas. Os testes de estresse demonstraram que mesmo hoje, décadas depois, sua implementação ainda está pendente em alguns Estados-membros".

Quatro reatores em dois países - que não foram identificados no documento - teriam menos de uma hora para restabelecer suas funções de segurança e evitar uma catástrofe em caso de eventual falha no suprimento de energia do complexo.

Na França, o maior produtor de energia nuclear da Europa, 58 reatores são responsáveis por 80% da produção de eletricidade do país. O rascunho do relatório apontou falhas específicas em todos esses reatores.

Recentemente uma explosão de vapor feriu duas pessoas na usina de Fessenheim, no leste da França - um dos reatores mais velhos do país e alvo regular de protestos de ativistas. Críticos afirmam que a região onde usina está instalada é perigosa por estar sujeita a constante atividade sísmica.

Deficiências também foram apontadas em usinas do Reino Unido. A maioria das usinas do país não têm uma sala de controle alternativa para ser usada caso a sala principal seja contaminada por radiação.

O Departamento de Energia do Reino Unido afirmou que não há evidências de que as usinas do país não sejam seguras. "Entretanto, o governo está comprometido com o princípio de aprimoramento contínuo", afirmou à BBC um porta-voz da instituição.

Protestos

Enquanto os testes de estresse encontraram deficiências em muitos reatores nucleares europeus, ativistas afirmam que o relatório falhou ao não abordar riscos em áreas cruciais, tais como o envelhecimento da tecnologia, ataques terroristas e erros humanos.

"Se esse exercício fosse sério, a Comissão deveria recomendar o desligamento de reatores não seguros ou velhos", afirmou a ativista Rebecca Harms.

Alguns governos mudaram sua estratégia energética após o desastre do ano passado em Fukushima. Os alemães decidiram acabar de substituir até o ano de 2022 suas centrais nucleares por tecnologia verde ou menos poluente. O

s sistemas de resfriamento da usina japonesa de Fukushima Daiichi foram desativados pelo terremoto e pelo tsunami ocorridos no Japão em 11 de março de 2011. O desastre causou o derretimento de três de seus reatores.

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