Prisão de cartunista provoca críticas na Índia

Assem Trivdei é acusado de incitar motim com desenhos que, segundo governo, fazem chacota da Constituição e da bandeira nacional

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A prisão de um cartunista em Mumbai, na Índia, sob a acusação de incitar motim, provocou uma onda de protestos na Índia. Assem Trivedi foi preso pelas caricaturas que, supostamente, fariam chacotas da Constituição do país e por insultar a bandeira nacional.

O cartunista integra um movimento anticorrupção no país, liderado pelo ativista Anna Hazare , que usa métodos de não-violência, como greves de fome. Se for condenado pela acusações de motim, Trivedi pode ser sentenciado a três anos de prisão.

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AP
Policiais escoltam cartunista Aseem Trivedi até tribunal em Mumbai

A polícia resolveu prendê-lo após as queixas de um advogado de Mumbai, que disse que as caricaturas seriam "anti-Índia". A imprensa do país e várias personalidades condenaram a prisão.

"Pelas informações que eu tenho, o cartunista não fez nada de ilegal, na verdade, prendê-lo foi um ato ilegal", disse o presidente do Conselho de Imprensa da Índia, Markandey Katju, ao jornal The Hindu. "Uma prisão ilegal é um crime muito sério no código penal indiano e quem deveria ser detido são os que efetuaram a prisão, quem deveriam ser detidos"

Para Katju, que é ex-ministro da Suprema Corte, desenhar uma caricatura não pode ser considerado um crime e os políticos deveriam a aprender a aceitar críticas. "Este tipo de comportamento não é aceitável em uma democracia", disse ele.

O comentarista político da CNN-IBN, Rajdeep Sardesai, também criticou a prisão, dizendo ser "engraçado" que as autoridades aceitam "discursos que incitam o ódio", mas prendem alguém por "paródias e sátiras políticas". No Twitter, várias pessoas também se manifestaram contra a prisão do cartunista.

Essa não foi a primeira vez que as autoridades indianas promovem ações contra a publicação de cartuns. Em abril, a polícia prendeu um professor em Calcutá por ter postado na internet cartuns que satirizavam a governadora de Bengala Ocidental, Mamata Banerjee. Ele foi liberado, em seguida.

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