Comunidade japonesa dos 'alpes caribenhos' teme desaparecer

Sem emprego, jovens pensam em deixar região na República Dominicana para onde trinta famílias japonesas se mudaram na década de 1950

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A comunidade de imigrantes japoneses que se radicou na República Dominicana e que foi o motor da agricultura no país caribenho corre o risco de desaparecer. Muitos jovens não conseguem emprego no local e querem deixar a região.

Trinta famílias japonesas chegaram ao país na década de 50, atraídas pelo convite do presidente Rafel Trujillo, mas muitas se dispersaram, atraídas por oportunidades de trabalho em outros países.

Veja o vídeo:

Eles se radicaram na mais alta região montanhosa dominicana, em Constanza, cujo clima temperado rendeu comparações com a Suíça e o título de ''alpes do Caribe'', em nada parecido com as praias e o calor tropical pelo qual o país é mais conhecido.

Uma das colonas pioneiras foi Choko Waki, de 81 anos. ''Vi um artigo num jornal que dizia que na República Dominicana estavam procurando imigrantes japoneses. E que dariam terras para cada família. Não tínhamos quase nada, por isso viemos'', relembra.

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A oferta do governo de Trujillo tinha o objetivo de desenvolver a agricultura local. Mas depois de uma viagem de barco de um mês, muitos imigrantes japoneses não encontraram o que esperavam.

Imigração

''Era uma época de muitas revoltas no país. Além disso, os dominicanos não viam vantagens no nosso trabalho, porque não estavam acostumados a comer legumes e outros produtos que nós cultivávamos. Por isso, alguns colonos decidiram tomar outros rumos.

"O governo japonês permitiu que eles voltassem e outros decidiram ir para a Argentina, o Brasil ou o Paraguai'', conta Teruki Waki, da segunda geração da família. Aqueles que decidiram ficar, como a família Waki, contribuíram para desenvolver a agricultura na região. Hoje em dia, Constanza é a maior área de produção de legumes do país.

Após terem superado as barreiras linguísticas, os imigrantes rapidamente se integraram com os locais e a maior parte de seus descendentes se casou com dominicanos. Mas agora a falta de oferta de emprego está levando os jovens a sair de Constanza.

"Eu acho que quando a primeira geração morrer, aos poucos a comunidade japonesa vai desaparecer. A segunda geração se casou com mulheres dominicanas e mesmo hoje em dia seguimos casando com dominicanos. Por conta do trabalho e de outras causas, acho que pouco a pouco vamos desaparecer"', comenta.

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