Polícia britânica reabre buscas por corpo de menino morto há quase 50 anos

Polícia acredita que serial killer pode ter dado informações sobre paradeiro de corpo em carta entregue para sua advogada

BBC Brasil |

BBC

Após quase 50 anos, o serial killer Ian Brady pode ter revelado aonde uma de suas vítimas, de apenas 12 anos, está enterrada, segundo detetives britânicos.

A polícia acredita que Brady poderia ter dado informações sobre o paradeiro do corpo do menino Keith Bennett, morto nos anos 60, em uma carta entregue para sua advogada, Jackie Powell, que foi detida para esclarecimentos no sul do País de Gales.

Leia também: Homem diz ter matado menino desaparecido em NY em 1979

BBC
Keith Bennett, morto na década de 1960, aos 12 anos

A suspeita foi levantada depois que Powell revelou a existência da carta - que estaria endereçada para a mãe de Keith, Winnie Johnson, de 78 anos - em um documentário para a emissora de TV britânica Channel 4.

"Ian Brady não revelou à polícia a localização do corpo de Keith. O que estamos analisando é a possibilidade, e, nesta fase, é apenas uma possibilidade, de que ele tenha escrito uma carta à mãe de Keith que não era para ser aberta antes de sua morte", disse Martin Bottomley, da polícia da Grande Manchester.

A polícia havia abandonado as buscas pelos restos mortais de Keith em 2009, alegando que seriam necessárias novas provas para justificar uma mobilização de recursos nesses esforços. Com a notícia sobre a carta, o caso foi reaberto.

Assassinos

Brady e sua companheira, Myra Hindley, sequestraram, torturaram e assassinaram cinco crianças entre 1963 e 1965. Os restos mortais de Keith são os únicos que nunca foram encontrados. Os outros quatro corpos foram enterrados em Saddleworth, perto de Manchester.

O serial-killer, hoje com 74 anos, foi condenado à prisão perpétua em 1966 pelo assassinato de Lesley Ann Downey, de 10 anos, John Kilbride, de 12, e Edward Evans, de 17.

Ele passou os últimos 25 anos no hospital psiquiátrico de segurança máxima de Ashworth, em Merseyside, e tem sido alimentado por tubos desde que passou a recusar alimentos, há 12 anos.

Hindley, que morreu na prisão em novembro de 2002, aos 60 anos, foi condenada à prisão perpétua pelo assassinato de Lesley Ann e Edward e por encobrir Brady pelo assassinato de John.

Em 1987, Brady admitiu ter matado Keith e Pauline Reade, de 16 anos, cujos corpos não tinham sido encontrados. Os dois assassinos foram levados a Saddleworth para ajudar a polícia a encontrar os restos mortais das vítimas desaparecidas, mas apenas o corpo de Pauline foi localizado. Na época, porém, um promotor público desistiu de acusar Brady e Hindley por esses dois assassinatos.

Buscas

Keith foi sequestrado no caminho para a casa da avó em Manchester, no dia 16 de junho de 1964. Sua mãe travou uma longa batalha para descobrir onde o filho está enterrado.

No mês passado, Brady, que nasceu em Glasgow, deveria se apresentar a um tribunal que revisaria sua saúde mental para decidir se ele poderia ser transferido para uma prisão escocesa. A sessão, porém, foi adiada quando ele sofreu uma convulsão.

Em dezembro, Johnson disse que queria participar de uma audiência na qual Brady estivesse presente para vê-lo pela primeira vez "cara a cara", mas desistiu por achar que a experiência seria muito traumática.

Segundo John Ainley, advogado da mãe de Keith, ela "sempre acreditou que Ian Brady sabia onde seu filho estava enterrado".

"Ele (Brady) teve um diálogo com Winnie há alguns anos e na época ela teve certeza que ele poderia fornecer informações para encerrar esse caso angustiante", disse Ainley. "Seu desejo é um só: dar a seu filho um enterro digno antes de morrer."

    Leia tudo sobre: serial killerreino unido

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG