Moradores de Dubai querem estrangeiros com mais roupa

Insatisfeitos lançaram campanha no Twitter condenando trajes de banho nas ruas e em shoppings e supermercados

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O 'dress code' em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, nem é sempre respeitado por estrangeiros. Nas últimas semanas, rumores circularam na cidade-estado de homens e mulheres em trajes de banho caminhando pela rua e fazendo compras em supermercados.

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Cansados do que chamam de "falta de respeito à cultura local", dois moradores do pequeno emirado resolveram lançar uma campanha através do Twitter para pedir aos estrangeiros que se cubram em locais públicos. Na rede social, eles postaram a hashtag #UAEDressCode para tentar convencer os turistas a andarem "vestidos".

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Moradores reclamam que avisos em shoppings e supermercados para cobrir ombros e joelhos não são suficientes

Horas depois de ser lançada, a campanha angariou centenas de adeptos. Entre os participantes, alguns sugeriram a criação de um departamento de polícia para receber queixas sobre roupas inapropriadas.

"Alguns centímetros de tecido a mais não vão te fazer mal", ironizou um usuário.

Campanha

Asma, 23 anos, foi quem teve a ideia da campanha juntamente com um amigo. Vestida com um véu e calça legging dentro de sua casa, ela explicou à correspondente da BBC em Dubai, Katy Watson, por que quis se envolver diretamente na defesa da cultural local.

"A forma como algumas pessoas se vestem aqui é ofensivo para as nossas crenças", disse. "Os shoppings são locais públicos, onde há famílias e crianças", acrescentou.

Os vestidinhos de verão, segundo Asma, "são bons para a praia, mas não para fazer compras".

Todos os shoppings de Dubai têm avisos nas entradas pedindo aos clientes que cubram os ombros e os joelhos, mas Asma diz que isso não é suficiente. Ela quer criar uma lei para garantir que seu 'dress code' seja cumprido.

Entretanto, a proposta esbarra em diversos obstáculos. Nos Emirados Árabes Unidos, apenas 20% da população, estimada em 8 milhões de pessoas, nasceram no país. Dessa forma, o governo tem de se equilibrar entre garantir os interesses da população local sem punir, em contrapartida, o turismo e o comércio com muitas regras.

Turbulência

Há também uma outra questão em jogo.

Embora os Emirados Árabes Unidos tenham se mantido praticamente imunes à turbulência regional, em muito devido a um sistema de previdência social generosa com seus cidadãos, o governo acompanha, com temor, os levantes revolucionários dos países vizinhos.

Mansoor Ahmed é um ativista pró-democracia e blogueiro cujas críticas ao governo lhe fizeram passar uma temporada na prisão no ano passado.

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Ele acredita que, apesar de a campanha pelo 'dress code' não ter fundo político, o governo dificilmente imporá aos habitantes e turistas uma lei sobre as regras de como eles devem se vestir, pois isso poderia enviar uma mensagem aos muçulmanos mais conservadores de que a opinião deles tem muito peso.

Entretanto, com a recente onda pró-democracia nos países árabes, os Emirados Árabes Unidos provavelmente se verão obrigados a ceder em determinados pontos, afirmou Ahmed.

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