Entrada da Venezuela no Mercosul divide governo do Uruguai

Presidente José Mujica disse que vice Danilo Astori se 'equivocou' ao criticar entrada de Caracas no bloco enquanto Paraguai está suspenso

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A entrada da Venezuela no Mercosul dividiu a base do governo do presidente do Uruguai, José Mujica. O mandatário disse nesta quinta-feira que seu vice-presidente, Danilo Astori, está "equivocado" ao criticar a entrada da Venezuela no bloco enquanto o Paraguai está suspenso dessa integração.

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"Danilo (Astori) se equivoca ao dizer que o ingresso da Venezuela no Mercosul foi uma ferida letal. Não é nada letal. Letal é como estávamos antes", disse Mujica. Segundo ele, o Mecosul estava "paralisado' e é preferível criticá-lo a deixá-lo estagnado.

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Mujica na cúpula do Mercosul em Mendoza (29/6)

Astori havia afirmado que a forma como a Venezuela entrou no Mercosul, com o Paraguai suspenso, "é a pior ferida institucional" do bloco desde sua criação em 1991.

O ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Luis Almagro , também disse que discordava da maneira como foi definida esta adesão. Segundo ele, na reunião do Mercosul, semana passada, em Mendoza, a presidente Dilma Rousseff teria pedido que os chanceleres deixassem os presidentes sozinhos.

No encontro a portas fechadas, disse, Dilma, Mujica e Cristina Kirchner, da Argentina, teriam resolvido a entrada da Venezuela e marcado uma reunião no dia 31 deste mês a fim de formalizar esta integração.

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Almagro havia garantido à oposição uruguaia que a inclusão da Venezuela não ocorreria com o Paraguai suspenso. As afirmações do ministro uruguaio foram criticadas pelo assessor internacional da Presidência do Brasil, Marco Aurélio Garcia. Almagro foi criticado dentro e fora do governo, mas Mujica declarou que ele "está mais firme que nunca" no cargo.

Frente Ampla

Mujica, Astori e Almagro fazem parte da coalizão de centro-esquerda Frente Ampla que governa o Uruguai desde 2005. Mujica é da ala mais à esquerda da legenda, o Movimento de Participação Popular (MPP). Astori, ex-ministro da Economia, é definido como social-democrata ou uma "esquerda mais moderada", segundo especialistas.

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Na opinião do especialista uruguaio Marcel Vaillant, professor de comércio internacional da Universidade da República, de Montevidéu, as divisões podiam ser esperadas já que a entrada da Venezuela com o Paraguai suspenso é "questionável".

"A forma particular como a Venezuela entra para o bloco é questionável e muitos têm suas dúvidas. Pelos tratados do Mercosul, os quatro países deveriam aprovar esta integração e faltam apenas alguns meses para que o Paraguai eleja novos parlamentares. Teria sido razoável esperar a eleição paraguaia e ter ouvido os especialistas jurídicos do bloco", disse ele em entrevista à BBC Brasil.

Eleição

Os paraguaios vão eleger presidente, vice e parlamentares em abril do ano que vem. A entrada da Venezuela no Mercosul dependia da aprovação do Senado paraguaio e foi aprovada pelos Congressos do Uruguai, da Argentina e do Brasil.

Segundo Vaillant, Mujica afirmou que o Uruguai deverá ter "compensações" por esse apoio à Venezuela como a possibilidade de negociar diretamente com outros países ou blocos. Mujica disse ainda, nesta quinta-feira, que Mercosul e União das Nações Sul-Americanas (Unasul) deveriam formar um único grupo integrado.

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