Liechtenstein rejeita diminuir poderes da monarquia

Em referendo realizado neste domingo, 76% dos votantes optaram pela conservação do poder de veto do príncipe herdeiro Alois sobre as decisões tomadas em consultas populares

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A grande maioria da população de Liechtenstein rejeitou em um referendo neste domingo a proposta de limitar o poder político da família real. Apesar de quase um ano de campanha pró-democracia, 76% dos que votaram optaram pela manutenção do poder de veto do príncipe herdeiro Alois sobre as decisões tomadas em referendos populares.

Alois, que agora realiza funções públicas em lugar de seu pai, o príncipe Hans Adam, tem uma quantidade incomum de poder para um monarca da Europa Ocidental no século 21. Seus poderes foram, inclusive, aumentados com a aprovação do povo em 2003. Mas alguns cidadãos de Liechtenstein, como o ativista pró-democracia Sigvard Wohlwend, insistem que estes poderes são grandes demais.

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"Eles são certamente os mais poderosos monarcas da Europa. O príncipe de Liechtenstein ainda tem o direito absoluto de vetar qualquer decisão tomada pelo Parlamento ou até mesmo o povo", disse. "Ele tem o direito de dissolver o governo, o Parlamento, e nenhum juiz é nomeado sem sua aprovação."

Um exemplo do poder de Alois foi dado em setembro do ano passado, quando ele disse que vetaria qualquer relaxamento das leis contra o aborto. O país se preparava para votar, em referendo, se descriminalizava a prática e a declaração do príncipe foi considerada o principal motivo da baixa votação. "Assim que ele disse isso, as pessoas sentiram que seus votos não valiam nada", disse Sigvard Wohlwend. "A taxa de participação caiu, as pessoas não se preocuparam em ir às urnas."

A partir desse momento, um pequeno grupo de cidadãos do principado começou a recolher assinaturas para um novo referendo, exigindo a retirada do veto real em consultas populares, com o monarca podendo vetar decisões parlamentares. Mas apenas 24% dos que votaram defenderam a diminuição dos poderes de Alois. O príncipe disse que o resultado confirma "a parceria de 300 anos entre a população e a casa real, que tem sido tão bem sucedida".

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