Em jornais britânicos, Argentina pede negociação sobre Malvinas

No aniversário do fim da Guerra das Malvinas, líder argentina diz que controle do Reino Unido sobre ilhas é 'caso colonial anacrônico'

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Alguns dos principais jornais britânicos publicaram nesta quinta-feira um anúncio de meia página contendo uma carta da presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, na qual ela afirma que o controle do Reino Unido sobre as Ilhas Malvinas representa um ''caso colonial anacrônico''.

A data da publicação da carta da líder argentina, intitulada ''Vamos pôr um fim ao colonialismo acatando resoluções das Nações Unidas'', coincide com o trigésimo aniversário do fim da Guerra das Malvinas , travada entre a Argentina e o Reino Unido.

Infográfico:  Entenda a disputa de Argentina e Reino Unido pelas Malvinas

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Presidenta argentina Cristina Kirchner faz pronunciamento no Palácio do Governo em Buenos Aires (07/02)

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As Ilhas Malvinas, ou Falklands, como as chamam os britânicos, são territórios ultramarinos localizados no Atlântico Sul pertencentes ao Reino Unido formados por um conjunto de ilhas. Apesar da vitória britânica no conflito, o governo da Argentina segue reivindicando soberania sobre o território.

Na carta, a líder argentina diz que ''desde 1965 a ONU adotou 39 resoluções exigindo que o Reino Unido e a Argentina negociem uma solução pacífica para pôr fim à disputa'', mas acrescenta que a Londres ''invariavelmente se recusa a acatar essas resoluções''.

A Argentina, afirma Cristina Kirchner, reivindica a devolução das ilhas, desde que ''há 179 anos, em 3 de janeiro de 1833, uma força naval britânica expulsou as autoridades e populações legítimas das Malvinas''. A presidenta conclui o documento conclamando: ''Nós pedimos ao Reino Unido que dê uma chance à paz''.

A embaixadora argentina no Reino Unido, Alicia Castro, também publicou uma carta na edição desta quinta do diário The Independent na qual diz que a decisão de travar uma guerra com o Reino Unido foi uma ''tentativa vil'' da junta militar que governava a Argentina de se manter no poder e ganhar a simpatia popular, mas que o atual governo visa retomar negociações com vistas a obter a paz e a reconciliação necessárias.

Pronunciamento inédito

Também nesta quinta-feira, a presidenta argentina fará um pronunciamento no Comitê de Descolonização das Nações Unidas, em Nova York, sobre o que ela afirma ser a recusa britânica em acatar resoluções da ONU sobre o futuro das ilhas.

A líder argentina irá se encontrar ainda com o secretário-geral da ONU, Ban-Ki Moon, a fim de pedir que ONU intermedie negociações que obriguem o Reino Unido a negociar o tema de soberania do território em questão.

Será a primeira vez que um chefe de Estado realizará um pronunciamento neste comitê das Nações Unidas criado em 1961 para promover a descolonização de territórios que ainda estão sujeitos a acordos e decisões firmadas durante o período colonial.

Os moradores das Ilhas Malvinas devem participar no início do ano que vem de um referendo em que decidirão se pretendem ou não permanecer sob controle britânico.

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