Água da Faixa de Gaza está contaminada demais para ser bebida, dizem ONGs

Organizações fazem apelo para que Israel retire bloqueio que dificulta entrada de equipamentos sanitários no território palestino

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A única fonte de água potável da Faixa de Gaza tem nível de contaminação dez vezes maior do que o normal, impossibilitando o consumo, denunciaram nesta quinta-feira duas ONGs que atuam no território palestino.

As organizações Save the Children e Ajuda Médica para os Palestinos disseram em relatório que a água, contaminada por fertilizantes e dejetos humanos, dobrou o número de crianças tratadas por diarreia nos últimos cinco anos.

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AFP
Homem segura garrafa com água da Faixa de Gaza, considerada imprópria para consumo

Para os dois grupos, o bloqueio de Israel ao território (que controla a entrada de mercadorias, ajuda humanitária e fluxo de pessoas), que já dura cinco anos, dificulta a entrega de muitos equipamentos sanitários que poderiam ajudar na limpeza da água.

Entre os materiais identificados na água estão nitratos e outras substâncias.

Restrições

Nitratos são elementos normalmente encontrados em fezes e fertilizantes e podem causar diarreia, sobretudo em crianças. O relatório diz ainda que o sistema de tratamento de esgoto em Gaza está "totalmente destruído".

"Como uma questão de prioridade urgente para o bem-estar e saúde das crianças de Gaza, Israel deve abolir o bloqueio de forma integral para permitir o livre movimento de entrada e saída de pessoas e mercadorias na Faixa de Gaza", diz o relatório.

O governo israelense diz que o bloqueio é necessário para impedir a entrada de armas pela costa do território, no Mar Mediterrâneo, e defende que nos últimos meses amenizou as restrições, permitindo a entrada de materiais para reconstruir a combalida infraestrutura em Gaza.

Em 2010 uma flotilha organizada por ONGs turcas tentou burlar o bloqueio para entregar ajuda humanitária aos palestinos. Um dos navios foi interceptado por forças israelenses , que mataram nove ativistas.

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