Jogador de futebol palestino entra em 80º dia de greve de fome contra prisão

Há três anos preso sem acusação formal, Sarsak é o único detento que mantém protesto após acordo com Israel que pôs fim à greve de fome de 2 mil palestinos

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ONG Addameer
O meia palestino Al-Sarsak foi preso há três anos, quanto tentava seguir para a Cisjordânia

Mahmoud al-Sarsak, jogador da seleção palestina de futebol, entrou em seu 80º dia de greve de fome em uma penitenciária israelense para protestar contra a chamada "prisão administrativa".

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O caso reacendeu as discussões sobre a prática de detenção sem julgamento usada por Israel e considerada ilegal por organizações internacionais. Há três anos preso, Al-Sarsak sequer foi acusado formalmente de qualquer crime.

A Anistia Internacional exigiu nesta quarta-feira que Israel pare de utilizar essa prática, que, segundo a organização, "serve para reprimir atividades legítimas e não violentas".

A União Europeia criticou a prática de Israel de prender palestinos sem levá-los a julgamento. Em nota, o escritório da UE na Cisjordânia disse que "prisioneiros têm o direito de ser informados sobre as razões de sua detenção e de ser levados a um julgamento justo".

Em resposta, o governo israelense declarou que "utiliza a medida da prisão administrativa apenas quando há perigo para a segurança do público ou para a segurança da região".

De acordo com o advogado do jogador, Mohamad Jabarin, seu cliente já perdeu dez quilos e sofre de dores no corpo, fraqueza e deterioração da visão.

O meio de campo da seleção palestina vivia em um campo de refugiados de Rafah, na Faixa de Gaza. O jogador de 25 anos foi detido pelas autoridades israelenses em 2009, quando estava a caminho da Cisjordânia para participar de um jogo de futebol.

Sem ser levado a julgamento, Al-Sarsak foi qualificado pelas autoridades israelenses como "combatente ilegal" e detido sob "prisão administrativa", sem ser informado das acusações ou evidências contra ele.

Herança colonial

A prisão administrativa é uma sequela da época do Mandato Britânico - o território esteve sob dominio do Reino Unido antes da fundação do Estado de Israel, em 1948. A lei militar permite a detenção sem julgamento, por razões de segurança, e por tempo indeterminado.

Infográfico:  Saiba os principais fatos do conflito entre Israel e palestinos

Nas cadeias israelenses há 318 presos palestinos sob prisão administrativa, além de mais 5 mil que já foram julgados e condenados.

Al-Sarsak, que nega qualquer envolvimento com grupos armados palestinos, rejeitou o acordo firmado em 14 de maio que pôs fim à greve de fome de cerca de 2 mil prisioneiros palestinos.

Pelo acordo firmado entre os prisioneiros e as autoridades israelenses, com intermediação do Egito, Israel concordou em permitir visitas de parentes de moradores de Gaza aos detentos, aceitou retirar dezenas de presos da solitária e melhorar as condições nas cadeias.

Al-Sarsak é o único prisioneiro que continua com a greve de fome apesar do acordo e afirma que não vai voltar a se alimentar até ser libertado. O jogador de futebol começou a carreira aos 14 anos, quando atuou pelo time local de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, e foi o jogador mais jovem da liga A.

Ele participou de diversas partidas da seleção nacional palestina, como meio de campo, inclusive em jogos no exterior. De acordo com o Serviço Penitenciário de Israel, Al-Sarsak está recebendo cuidados médicos na enfermaria da prisão de Ramle e "se houver necessidade será transferido para um hospital".

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