Irmã diz ter visto pais 'sufocarem' até a morte filha de 17 anos

Shafilea Ahmed, britânica de origem paquistanesa, teria sido morta por ter 'hábitos ocidentais' e recusar casamento arranjado

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A britânica de origem paquistanesa Shafilea Ahmed, morta aos 17 anos
Os pais de uma adolescente britânica de origem paquistanesa morta em 2003 estão sendo acusados pela morte da jovem e a irmã é apontada como a principal testemunha do crime. Segundo a Promotoria de Cheshire, norte da Inglaterra, a irmã de Shafilea Ahmed testemunhou a morte.

A causa apontada para o crime eram os hábitos ocidentais de Shafilea: os pais queriam que ela aceitasse um casamento arranjado com um paquistanês, mas ela se recusava e queria namorar e se tornar uma advogada.

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Os pais de Shafilea, Iftikhar e Farzana Ahmed, negam o crime. Eles foram indiciados e estão sendo julgados.

Shafilea desapareceu em setembro de 2003, e seu corpo foi encontrado cinco meses depois em avançado estado de decomposição, em um rio localizado a 12 km de distância da casa da jovem.

Em discurso ao júri do caso, o promotor Andrew Edis disse que a irmã mais nova de Shafilea, Alesha, viu os pais sufocarem a menina com uma sacola em sua boca. Depois, os viu com sacos e fita isolante, dando a entender que eles planejavam esconder o corpo.

Ocidentalizada

Edis descreveu Shafilea como uma jovem que sonhava em cursar a universidade e em ter namorados, "como outras garotas de sua idade". Segundo ele, porém, os pais da garota respondiam a esses anseios com violência, na tentativa de forçá-la a um estilo de vida mais tradicional.

Um poema atribuído à jovem e lido na corte diz: "Só queria me encaixar, mas minha cultura é diferente; mas minha família ignorou".

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Shafilea chegou a ser mandada à casa dos avós, em uma região rural do Paquistão, aparentemente para se casar, mas ingeriu água sanitária. Foi levada de volta à Grã-Bretanha para tratamento.

A Promotoria diz que ela bebeu água sanitária "num ato de desespero" para evitar ser casada à força. Já a defesa alega que a ingestão ocorreu por engano e que Shafilea pensou se tratar de um produto de limpeza bucal. Depois de meses internada, ela teria retomado seu estilo de vida "ocidentalizado", o que, segundo a Promotoria, "entrava em conflito com o conceito de vergonha e honra de seus pais".

A adolescente foi vista viva pela última vez em 11 de setembro de 2003, quando sua mãe a buscou na escola. Seu desaparecimento não foi reportado à polícia pelos pais, mas sim por uma professora de Shafilea, que teria ouvido falar que a irmã da jovem, Alesha, havia confessado a amigos que o crime fora cometido pelos pais. Alesha, porém, logo negou ter dito isso.

Os pais alegaram não saber do paradeiro de Shafilea.

'Confissão'

O caso avançou pouco nos anos seguintes. A Promotoria diz que Alesha não falou sobre o ocorrido durante sete anos, até que foi presa por ter participado de um roubo à casa dos próprios pais. Na ocasião, ela teria confessado à polícia que seus pais "agiram em conjunto" para matar a irmã.

Alesha deverá ser chamada para testemunhar perante a corte. O júri do caso também ouviu da Promotoria que a polícia colocou escutas na casa da família Ahmed, após o desaparecimento de Alesha, e gravou Iftikhar falar a seus outros quatro filhos que eles "não deveriam comentar nada na escola, ou haveria problemas sérios".

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