Franceses levam 'magia' da fotografia a região remota do Afeganistão

No projeto 'Traces of Times', Fabrice Nadjari e Varial deram a moradores de Corredor Wakran oportunidade de ver pela 1ª vez sua própria imagem

BBC Brasil |

selo

Os fotógrafos franceses Fabrice Nadjari e Cedric Houin (que usa o nome artístico de Varial), fizeram retratos de moradores do Corredor Wakhan, uma estreita faixa ao nordeste do Afeganistão. A região fica entre as cordilheiras de Pamir e Hindu Kush e faz fronteira com China, Tajiquistão e Paquistão.

Fabrice Nadjari e Varial
Fotos instantâneas são coloridas e o retrato geral em branco e preto para 'brincar com a noção do tempo e fazer o presente parecer o passado e o passado, o presente'
Com o projeto "Traces of Time" (Vestígios do Tempo, em tradução livre), os fotógrafos queriam interagir com os fotografados. Fabrice e Varial levaram 200 filmes instantâneos para a viagem com a ideia de dar algo em troca para as pessoas de Wakhan. "Era incrível quando as presenteávamos com as fotos, especialmente para aquelas que nunca haviam visto a sua própria imagem", disse Nadjari à BBC Brasil.

O clima rigoroso e a alta altitude da região foram marcantes para o projeto. Quando fotografavam, era necessário aguardar de dez a quinze minutos para ver a imagem. Porém, elas sofriam degradação rapidamente. "Isso foi a primeira impressão que tivemos com a natureza de lá deixando seu rastro e queríamos também deixar o nosso", diz Nadjari.

Os franceses decidiram que as fotografias instantâneas seriam coloridas, e o retrato geral seria em branco e preto. "Nós queríamos brincar com a noção do tempo e fazer o presente parecer o passado e o passado parecer o presente", afirma Varial. "As imagens coloridas parecem ter sido feitas há décadas, nos anos 60 ou 70, no início da fotografia colorida. Já as em preto e branco parecem ser mais antigas ainda, poderiam facilmente terem sido feitas no começo da fotografia em preto e branco."

"Essas pessoas são suspensas no tempo. As descrições de Marco Polo no século 13 sobre as pessoas da etnia Wakhi ou nômades são as mesmas que podem ser feitas hoje, pouca coisa mudou em 600, 700 anos."

Para chegar a Wakhan, os fotógrafos precisaram de quatro vistos, porque passaram por regiões que não são controladas pelo governo afegão. "Não foi possível passar por Cabul, pois teríamos de atravessar toda a zona de guerra. Duas ou três vezes ao dia éramos abordados por diferentes grupos de guardas, às vezes até soldados, em uma parte do corredor", relembra Nadjari.

A primeira parte do corredor foi percorrida de carro. "Em dois dias, fizemos apenas 100 quilômetros. Quando chegamos na última vila, não podíamos mais continuar de carro, então caminhamos por mais 25 dias. Quase não encontramos ninguém no caminho, apenas alguns Wakhi com suas cabras e poucas tribos quirguizes. Elas são comunidades muito pequenas, praticamente só uma família com algumas gerações vivem juntas", disse Varial à BBC Brasil.

Fabrice e Varial eram melhores amigos durante a infância em Paris, mas perderam contato quando Varial mudou-se com os pais aos 9 anos. Em 2010, 23 anos depois, os dois, baseados em Nova York, reencontraram-se pelas redes sociais e decidiram fazer uma viagem para celebraram o encontro e trabalharem juntos em um projeto.

    Leia tudo sobre: afeganistãoCorredor Wakhanfrançafotografia

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG