Náufrago processa operadora de navio que não prestou socorro

Operadora Princess Cruises não teria ajudado pescador panamenho que ficou 28 dias à deriva e teve colegas mortos

BBC Brasil |

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Um pescador panamenho que sobreviveu 28 dias no oceano Pacífico e presenciou a morte de dois colegas abriu um processo contra a Princess Cruises, operadora de um navio que passou pelo grupo sem prestar socorro.

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Adrian Vasquez decidiu entrar na Justiça da Flórida acusando a empresa de negligência. Passageiros do cruzeiro disseram ter visto os pescadores e alertado a tripulação, mas a empresa diz que o capitão da embarcação não foi avisado.

A advogada do pescador, Edna Ramos, disse que o processo inclui o testemunho de dois passageiros que confirmam ter visto os náufragos e alertado a tripulação.

A passageira Judy Meredith afirmou a jornalistas que viu os pescadores com um binóculo e avisou um atendente, que confirmou ter repassado a informação à tripulação.

Água

Os três pescadores voltavam de uma viagem ao Rio Hato, para onde haviam ido em fevereiro, quando um dos motores do barco de cerca de três metros de comprimento falhou.

Após 16 dias à deriva, eles avistaram um navio de cruzeiro e tentaram fazer sinais com um casaco vermelho. "Ficamos muito felizes, porque achamos que eles viriam nos resgatar", disse Vasquez.

Ele foi resgatado dias depois a cerca de 1 mil quilômetros do continente, próximo às Ilhas Galápagos, quando seus amigos já haviam morrido de sede.

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Uma tempestade repentina, que reabasteceu seus suprimentos de água, foi crucial para a sobrevivência de Vasquez.

A empresa disse que houve uma falha de comunicação. Afirmou ainda que está ciente das obrigações perante a lei internacional do mar e que esteve envolvida em mais de 30 resgates nos últimos dez anos. 

Obrigação 

A obrigação de prestar assistência, sob o artigo 98 da Convenção da ONU da Lei do Mar (UNCLOS), é um princípio difundido sobre a lei internacional do mar.

Segundo a legislação, desde que possa ser feito sem colocar a embarcação em sério risco, o capitão é obrigado a “prestar assistência a qualquer pessoa encontrada no mar em risco de se perder; a proceder com toda a velocidade possível para resgatar pessoas em dificuldade, se informado de sua necessidade de assistência, desde que tal ação possa ser razoavelmente esperada dele”.

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